O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comparecerá nesta segunda-feira (5) diante de um juiz federal em Nova York, às 12h no horário local (14h em Brasília). A informação foi divulgada por um tribunal federal dos Estados Unidos, que fará a notificação formal das acusações apresentadas contra o venezuelano.
Maduro foi capturado no sábado (3), em Caracas, ao lado da esposa, Cilia Flores, e será apresentado ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan. Ele é acusado pela Justiça americana de crimes relacionados ao narcotráfico e ao terrorismo.
Segundo a secretária de Justiça do governo Donald Trump, Pam Bondi, Maduro, Cilia Flores e outras quatro pessoas responderão por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos, porte ilegal de armas de fogo e conspiração para o porte de armamentos. Washington apresentou um novo indiciamento contra o ex-presidente venezuelano, que já tinha uma recompensa de US$ 50 milhões (cerca de R$ 271 milhões) por sua captura.
A denúncia inclui ainda o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e Nicolás Ernesto Maduro, filho de Maduro. De acordo com a acusação, os réus teriam atuado em conjunto com organizações criminosas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o cartel de Sinaloa, no México, para o tráfico internacional de cocaína.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no sábado que Maduro era um “fugitivo da Justiça americana”. Washington acusa o venezuelano de liderar o chamado “cartel dos sóis”, embora especialistas contestem a existência formal dessa organização.
Ainda segundo a acusação, durante o período em que esteve no poder, Maduro teria buscado “enriquecer a si mesmo e aos membros do cartel, ampliar seu poder e inundar os Estados Unidos com cocaína”, utilizando os efeitos nocivos da droga contra a população americana. Apesar das acusações, a Venezuela não figura entre os principais produtores de cocaína, e as rotas do tráfico a partir do país costumam ter como destino portos europeus.
O governo Trump afirma também que Maduro utilizou a cocaína como uma “arma contra a América”, discurso semelhante ao adotado por Trump em outras ocasiões, como ao classificar o fentanil como uma arma de destruição em massa.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, declarou que Maduro “não poderia esperar escapar da Justiça americana por tráfico de drogas apenas por viver em um palácio em Caracas”. Vance disse ainda que o governo americano teria oferecido “uma série de alternativas” ao venezuelano e voltou a afirmar que a Venezuela precisa “devolver o petróleo roubado” dos Estados Unidos, embora não tenha detalhado a que se refere essa acusação.
Maduro foi indiciado pela primeira vez pela Justiça americana em 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, sob acusações de conspiração narcoterrorista e colaboração com as Farc.
As informações são do Folhapress.