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Política

Haddad quer parceria entre Brasil e Estados Unidos para combater organizações criminosas

27 de Novembro de 2025 | 19h 16
Haddad quer parceria entre Brasil e Estados Unidos para combater organizações criminosas
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou a importância de um diálogo direto com o governo dos Estados Unidos para coibir crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Isto no dia em que a Receita Federal deflagrou uma megaoperação contra fraudes no setor de combustíveis.

Em entrevista concedida na porta do Ministério da Fazenda, nesta quinta-feira (27), o ministro explicou que os criminosos usam o estado de Delaware, nos Estados Unidos, como paraíso fiscal, para tirar dinheiro do Brasil, ilegalmente, sem a devida declaração. Depois, trazem-no de volta, “lavado”.

Conforme o gestor, “a última operação foi de R$ 1,2 bilhão de envio para esses fundos em Delaware, e que voltam pra cá na forma de aplicação, como se fosse um investimento estrangeiro. Mas, na verdade, o dinheiro saiu daqui”.

Haddad e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já conversaram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a urgência dessa articulação com os Estados Unidos.

Além disso, o titular do Ministério da Fazenda salientou que, a partir dessas investigações, a Polícia Federal (PF) vai atuar na recuperação de ativos no exterior e mobilizar a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). “Fizemos uma representação perante o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. São 300 páginas de toda a movimentação financeira e do esquema criminoso para que a justiça do Rio de Janeiro dê impulso a esses processos”, detalhou.

AÇÃO POLICIAL A Operação Poço de Lobato foi deflagrada, hoje, em cinco estados, visando desarticular um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Os mandados foram cumpridos na Bahia, no Distrito Federal, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A ação policial é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que fechou dezenas de postos de combustíveis nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins.

A Receita Federal já identificou 17 fundos ligados ao grupo, que somam patrimônio líquido de R$ 8 bilhões. Em sua maioria, são fundos fechados com um único cotista, geralmente outro fundo, criando camadas de ocultação. “Você precisa atuar, também, pelo andar de cima. É o andar de cima que irriga, com bilhões, as atividades criminosas. Hoje, estão sendo bloqueados R$ 8 bilhões de fundos. Na Operação Carbono oculto, foram R$ 30 bilhões. Só hoje foram R$ 8 bilhões”, disse Haddad.

Devedor ContumazO ministro também voltou a pedir ao Congresso Nacional para concluir a votação do texto do devedor contumaz, um Projeto de Lei (PL) que cria um regime específico para punir o contribuinte que sonega impostos de forma deliberada e recorrente.

O texto já foi aprovado no Senado Federal e aguarda a tramitação na Câmara dos Deputados. “É um apelo que eu deixo aqui, é um trabalho que fazemos há três anos. Aperfeiçoamos o texto, incluímos na lei uma série de benefícios para o bom contribuinte, para separar o joio do trigo”, destacou.

Conforme Haddad, o PL protege “99%” dos contribuintes honestos. “Uma lei muito equilibrada. Se não fosse, não teria passado com unanimidade no Senado”, disse, enfatizando que, se o mesmo for sancionado ainda este ano, o país entrará, “no ano que, vem mais fortes nesse tema”.

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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