O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou estar atuando para que o governo dos Estados Unidos amplie as sanções contra o Brasil, como forma de retaliação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, em prisão domiciliar. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo e repercutida pelo InfoMoney.
Segundo Eduardo, o objetivo é pressionar o Senado pela saída do ministro Alexandre de Moraes do STF e pela aprovação de uma anistia ampla a aliados condenados ou investigados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022, que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Na avaliação do parlamentar, as sanções já impostas — como o bloqueio de bens e a restrição de vistos a membros da Corte — podem ser estendidas a outras autoridades, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
“Uma vez que não é pautado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado, uma vez que o presidente da Câmara não pauta uma anistia, eles estão entrando no radar das autoridades americanas”, disse o deputado.
Vivendo nos Estados Unidos desde março, quando se licenciou do mandato, Eduardo afirmou que pode permanecer no país por tempo indeterminado. “Ou tenho 100% de vitória, ou 100% de derrota. Ou saio vitorioso e volto a ter uma atividade política no Brasil, ou vou viver aqui décadas em exílio”, afirmou.
Ele também manifestou apoio ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, imposto pelo ex-presidente Donald Trump, que entrou em vigor nesta quarta-feira (6). Eduardo considera a medida politicamente motivada e a classificou como um “sacrifício necessário” para, segundo ele, acabar com a “ditadura de toga” no Brasil.
“Dou graças a Deus que ele voltou suas atenções para o Brasil. Acho que tem valido a pena”, afirmou, negando que tenha recebido críticas de representantes do agronegócio.
Ainda segundo o deputado, ele mantém interlocução frequente com figuras próximas a Donald Trump, como parlamentares republicanos e o ex-estrategista Steve Bannon. Disse ainda que visita a Casa Branca “quase toda semana”.
Apesar da ausência prolongada do país, Eduardo declarou que não pretende renunciar ao mandato e avalia enviar um ofício à Câmara dos Deputados alegando “perseguição política” como justificativa. Ele também não descartou a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2026, caso tenha apoio do pai e consiga, antes, “resgatar a normalidade democrática no Brasil”.