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Política

Em pronunciamento, Lula classifica tarifaço de Trump como ‘chantagem inaceitável’

18 de Julho de 2025 | 09h 44
Em pronunciamento, Lula classifica tarifaço de Trump como ‘chantagem inaceitável’
Foto: Divulgação/PR

Em um pronunciamento de cinco minutos, em cadeia nacional de rádio e televisão, realizado nesta quinta-feira (17), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ressaltou a separação dos Poderes da República e disse que ninguém está acima da lei. Também destacou que responderá com diplomacia e multilateralismo às ameaças de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Além disso, Lula classificou a imposição de uma tarifa de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos como "chantagem inaceitável". Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cujo julgamento foi citado nas cartas recentes de Trump, a fim de justificar o tarifaço, Lula disse que as instituições brasileiras agem para proteger a sociedade da ameaça de discursos de ódio e anticiência difundidos via redes digitais.

O atual presidente ressaltou a soberania do Brasil e a solidez constitucional do país. “No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas”, declarou.

Destacando a independência do Judiciário, Lula disse que não pode interferir em decisões dos outros dois poderes governamentais, que são essenciais para a manutenção da democracia e do Estado de Direito. “Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na Justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”, observou.

Chantagem – O governante ressaltou que o Brasil sempre esteve aberto ao diálogo e que tenta negociar com os Estados Unidos desde maio, quando a gestão de Donald Trump impôs uma tarifa de 10% aos produtos brasileiros.

Para Lula, o uso de informações econômicas falsas para justificar as ameaças do governo estadunidense não passa de intimidação. “Fizemos mais de dez reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, frisou.

O governo brasileiro, disse Lula, está se reunindo com representantes dos setores produtivos, da sociedade civil e dos sindicatos, a fim de tentar negociar com os Estados Unidos. Segundo o presidente, essa é uma grande ação, que envolve diversos segmentos da economia, como a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

Lula destacou, ainda, que o Brasil responderá aos ataques do governo Trump por meio da diplomacia, do comércio e do multilateralismo. “Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo e vai à luta, para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer. Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”, afirmou.

Lula lembrou que, em dois anos e meio de governo, o Brasil abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior. E reafirmou que o governo pode usar todos os instrumentos legais para defender a economia, como recursos à Organização Mundial do Comércio (OMC) até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Traidores da pátria – O chefe do Estado brasileiro também manifestou indignação pelo apoio de alguns grupos políticos ao ataque tarifário de Trump. “Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”, observou.

Big techs De acordo com o presidente, a fiscalização das plataformas digitais estrangeiras, um dos itens citados por Trump para justificar a imposição da tarifa, tem como objetivo defender a soberania nacional.

Lula ressaltou que todas as empresas que operam no país são obrigadas a cumprir a legislação brasileira. “A defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras”, destacou.

Pix – Sobre as reclamações do governo de Trump acerca do Pix, Lula disse que o governo não aceitará ataques ao sistema de transferências instantâneas, que classificou como um patrimônio do país. “O Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo”, advertiu.

Números – O presidente apresentou números para desmentir as alegações do governo norte-americano sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. “A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões [com o Brasil]”, declarou.

Em relação ao desmatamento, usado nas alegações de Trump para ameaçar o país, Lula lembrou que o Brasil é, atualmente, uma referência mundial na defesa do meio ambiente. “Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030”, afirmou.

Conforme o governante, em guerras tarifárias, não há vencedores. “Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”, concluiu Lula.

 

 



*Com informações da Agência Brasil.



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