O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o Projeto de Lei (PL) que aumenta o número de deputados federais de 513 para 531. O despacho foi publicado, nesta quinta-feira (17), no Diário Oficial da União (DOU).
Em mensagem ao Congresso Nacional, Lula afirmou que veto foi
decidido em função da contrariedade ao interesse público. Também apontou que a
proposta é inconstitucional.
Os ministérios da Justiça e
Segurança Pública (MJSP), da Fazenda (MF), do Planejamento e Orçamento (MPO) e
a Advocacia-Geral da União (AGU) manifestaram-se contrários ao Projeto de Lei
apresentado pela Casa Legislativa, citando diversos dispositivos legais, como a
Lei de Responsabilidade Fiscal.
Isto porque, segundo os órgãos, “ao prever a ampliação do número de
parlamentares, a medida acarreta aumento de despesas obrigatórias, sem a
completa estimativa de impacto orçamentário, de previsão de fonte orçamentária
e de medidas de compensação, onerando não apenas a União, mas também entes
federativos (Constituição Federal, art. 27, caput)”.
A mensagem da Presidência também ressalta que, “ademais, o
art. 6º, parágrafo único, do Projeto de Lei Complementar está em dissonância
com o art. 131, IV, da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025, já que prevê a
possibilidade de atualização monetária de despesa pública”.
O texto foi aprovado,
pelos parlamentares, no final de junho, como resposta a uma exigência do
Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte julgou uma ação do Governo do Pará, que
apontou omissão do Legislativo em atualizar o número de deputados segundo a
mudança populacional, atualizada pelo censo demográfico a cada dez anos. O Pará
argumentou que teria direito a mais quatro deputados, desde 2010. A última
atualização foi em 1993.
O STF, então, determinou que o Congresso Nacional votasse uma
lei para redistribuir a representação de deputados federais em relação à
proporção da população brasileira em cada estado e no Distrito Federal (DF). A Constituição determina que nenhuma unidade
da Federação tenha menos de oito ou mais de 70 deputados.
Na ocasião, os deputados não
quiseram reduzir o número de parlamentares de algumas unidades federativas
seguindo o critério proporcional. Se essa regra fosse posta em prática, o Rio
de Janeiro, a Bahia, a Paraíba, o Piauí, o Rio Grande do Sul, Pernambuco e Alagoas
poderiam perder cadeiras no Legislativo.
Em lugar disso, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que
aumenta o número de vagas para os estados que tenham apresentado crescimento populacional e poderia gerar um
custo de R$ 65 milhões, por ano, com novas estruturas.
Outro impacto estaria ligado às emendas parlamentares. Isto
porque os novos representantes passariam a ter direito de indicá-las, no âmbito
do Orçamento da União. Além disso, com o aumento no número de deputados
federais, a quantidade de deputados estaduais também sofreria alterações, conforme
a previsão constitucional.
As Assembleias Legislativas devem ter o triplo da
representação do estado na Câmara dos Deputados, com uma trava de 36. Com isso,
o impacto nos orçamentos estaduais
seria de R$ 2 milhões a R$ 22 milhões anuais.
A partir do veto do presidente Lula, os parlamentares terão
30 dias para analisar a medida, podendo manter ou derrubar o veto. Caso seja mantido, a redistribuição das vagas
será feita pelo Tribunal Superior Eleitoral, até 1º de outubro, conforme
decisão do STF.
*Com informações da
Agência Brasil.