O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (2) que a reforma administrativa deve começar pelo corte dos chamados supersalários no serviço público. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Brasília.
Segundo Haddad, o governo já enviou ao Congresso propostas que tratam do tema, incluindo mudanças nas regras de aposentadoria das Forças Armadas.
“Já encaminhamos algumas etapas da reforma administrativa que, na minha opinião, deveriam vir antes de qualquer outra votação: a questão dos supersalários e o acordo feito com as Forças Armadas sobre aposentadoria”, disse o ministro. “Seria um bom exemplo começar esse debate pelo topo do funcionalismo público”, acrescentou.
Haddad também criticou o uso genérico do termo "reforma administrativa", afirmando que existe um “fetiche” em torno da expressão. “Quando se faz a conta, ela não fecha. Por isso, é preciso cautela”, alertou.
Grupo de trabalho na Câmara
Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos) anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir a reforma administrativa como alternativa a um possível aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
O grupo foi instituído em 21 de maio, contará com representantes de todos os partidos e terá 45 dias para apresentar um projeto. A expectativa de Motta é que o texto seja votado ainda no primeiro semestre.
“O objetivo não é atender a interesses políticos, mas responder ao clamor da sociedade por serviços públicos de melhor qualidade”, afirmou. Ele garantiu que a proposta não deve retirar direitos adquiridos de nenhuma categoria.
“Precisamos pensar em quem está na ponta, quem mais depende dos serviços públicos e muitas vezes enfrenta dificuldades para acessá-los”, concluiu o presidente da Câmara.