O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja à França, entre os dias 4 e 9 de junho, para uma visita de Estado. Há 13 anos, um chefe de governo brasileiro não comparece oficialmente ao país europeu. A última visita do Brasil ao território francês aconteceu em 2012, durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A agenda do presidente brasileiro
tem alguns pontos altos, dentre eles, o anúncio de uma nova declaração
climática conjunta. O acordo entre os dois países deve ser firmado durante um
dos encontros bilaterais entre Lula e Emmanuel Macron, presidente francês.![]()
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De acordo com o embaixador Flávio Goldman, diretor do
Departamento de Europa do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, "há
expectativa de adoção de uma nova declaração dos dois líderes sobre a mudança
do clima, considerando o engajamento dentro dos países nesse tema e a
necessidade de maior mobilização internacional para a COP30, sediada pelo
Brasil”, adiantou, referindo-se à trigésima Conferência das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas, a ser realizada em novembro, na cidade de Belém, capital
do Pará (PA).
Goldman também destacou que o encontro entre Lula e Macron
resulte na criação de um “corredor marítimo descarbonizado com a França”. Ao todo, os dois presidentes devem assinar 20
atos bilaterais, envolvendo acordos de cooperação nas áreas de vacinas, segurança
pública, educação e ciência e tecnologia.
Um anúncio de investimentos entre Brasil e França também é
esperado. Atualmente, segundo dados de 2024, a corrente de comércio entre os
dois países é de US$ 9,1 bilhões, alta de 8% em relação a 2023.
A França é o terceiro país que mais
investe no Brasil, com mais de US$ 66,3 bilhões em estoque. "A visita acontece num momento
muito positivo do relacionamento bilateral, com aproximação em diversas áreas.
Durante sua passagem pela França, Lula terá vários encontros com Emmanuel
Macron, nos quais ele discutirá aspectos relevantes do relacionamento bilateral
e temas da agenda internacional de importância dos dois países, como a
necessidade de reforma da governança global, a defesa do multilateralismo, o
combate ao extremismo e a preparação para a COP30", destacou o embaixador.
Lula e sua comitiva embarcam na próxima quarta-feira (4). O
primeiro compromisso, em Paris, capital francesa, será no dia seguinte, com a
cerimônia oficial de chegada ao Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos, na
área norte do edifício Hotel des
Invalides. O local sedia cerimônias militares francesas e, frequentemente,
é utilizado para desfiles e outros eventos oficiais.
Em seguida, o presidente brasileiro se reúne com Macron, no
Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em uma reunião entre as delegações
dos dois países e que será seguida por uma cerimônia de assinatura de atos,
além de declarações à imprensa.
Reconhecimento – No dia 6
de junho, Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa na Universidade
Paris 8. No mesmo
dia, ele fará uma visita à exposição sobre o ano do Brasil na França, no Grand
Palais, o principal centro de convenções do país.
Conforme o Itamaraty, a programação da temporada brasileira
na França compreenderá diversas atividades até setembro, em mais de 50 cidades
francesas. Elas incluirão iniciativas tanto na área artística quanto nas de
cooperação acadêmica, científica, tecnológica, educativa e ambiental, com o
objetivo de fortalecer os laços entre os países.
Ainda no âmbito cultural, o presidente Lula receberá uma
homenagem na Academia Francesa. A instituição foi criada em 1635, e, nesses quase
400 anos de história, apenas outros 19 chefes de Estados foram homenageados em
sessão oficial. Antes dele, o único brasileiro a receber a honraria foi Dom
Pedro II, em 1872.
Além disso, Lula participa da sessão do Fórum Econômico
Brasil-França. O encontro reunirá autoridades e líderes empresariais de ambos
os países.
Certificação sanitária – No mesmo dia, Lula participará de um
evento que formaliza o reconhecimento do status
do Brasil como país livre da febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento foi aprovado na reunião da assembleia-geral
da entidade, em 29 de maio.
O chefe de Estado brasileiro deverá se encontrar com a
prefeita de Paris, Ane Hidalgo. Posteriormente, viajará a Toulon, onde manterá
outro encontro com Macron, desta vez na Base da Marinha Francesa, para tratar
do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), uma retribuição à mesma agenda realizada pelo francês,
em março de 2024, durante sua visita de Estado ao Brasil.
COP dos Oceanos – No dia 8 de junho, Lula participará de
um evento sobre a economia azul, que acontece em Mônaco, microestado situado no
Sul da França. O encontro será focado na questão da utilização econômica e
mobilização de financiamento para a conservação dos oceanos.
No dia seguinte, o presidente vai à cidade de Nice, no
litoral Sul francês, a fim de participar da Terceira Conferência das Nações
Unidas sobre os Oceanos, que deve reunir ao menos 60 chefes de Estado.
Em Lyon, terceira maior cidade da França, Lula deve visitar a
sede da Interpol, organização policial internacional que, atualmente, é comandada
pelo brasileiro Valdecy Urquiza, delegado da Polícia Federal (PF).
*Com informações da
Agência Brasil.