A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (21), o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos.
O
texto, que foi aprovado de forma simbólica, propõe aumentar o tempo de mandato para todos os cargos eletivos: dez
anos para senadores e cinco anos para os demais. Além disso, a PEC também prevê a unificação das eleições municipais
e gerais, a partir de 2034.
Antes
de a proposta ser votada no plenário principal do Senado, os membros do
colegiado votarão trechos em separado, os chamados destaques. Alguns
parlamentares divergem e tentam derrubar as partes que versam pela ampliação
dos mandatos políticos.
Para
ser aprovado no plenário da referida Casa Legislativa, o texto precisará reunir, pelo menos, 49 votos favoráveis, em dois
turnos. Posteriormente, precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Só então passará a
vigorar.
A
discussão sobre o fim da reeleição ganhou
corpo ao longo da gestão de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que assumiu a presidência
do Senado Federal em 2021. Nos últimos meses, líderes partidários de direita
e de esquerda passaram a defender a análise de uma proposta para pôr fim ao
instrumento. Muitos consideram a reeleição um equívoco.
A
Proposta de Emenda Constitucional aprovada pela CCJ estabelece marcos
diferentes para pôr fim à recondução no Executivo:
- Prefeitos
– poderão se candidatar à recondução
pela última vez em 2028, desde que tenham sido eleitos para um primeiro mandato
em 2024. De 2028 em diante, novos
eleitos para prefeituras não poderão mais se candidatar à reeleição.
- Governadores – poderão
se candidatar à reeleição pela última vez em 2030, desde que sejam eleitos para
um primeiro mandato em 2026. De
2030 para frente, novos eleitos não poderão mais ser reconduzidos ao cargo.
- Presidente da
República – também poderá se
candidatar à reeleição pela última vez em 2030, desde que seja eleito para um
primeiro mandato em 2026. De 2030
para frente, novos eleitos não poderão mais ser reconduzidos.
- Vereadores, deputados
e senadores seguirão sem impedimentos para
se candidatar à reeleição.
A
reeleição de um chefe do Executivo foi introduzida no Brasil através de uma
Emenda Com Constitucional de 1997. À época, a mudança permitiu que o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pudesse se candidatar a um
segundo mandato. Ele foi reeleito no ano seguinte.
No entanto, 23 anos depois, o próprio FHC
classificou a mudança como um "erro", passando a defender,
publicamente, que "acabar com o instituto da reeleição" era uma
mudança a "ser feita".
Nos
últimos anos, as reeleições registraram recordes.
Em 2024, por exemplo, 2.461 prefeitos foram reconduzidos ao cargo. Foi o maior
número de reeleições já registrado. Dois anos antes, houve recorde no total de governadores, com
18 reeleitos.
Entre
os presidentes da República, desde 1998, todos os presidentes em primeiro
mandato conseguiram se reeleger nas eleições seguintes. A única exceção foi
Jair Bolsonaro (PL), derrotado em 2022.
Na
opinião do relator da proposta, senador Marcelo Castro (MDB-PI),
o fim da reeleição pode impulsionar uma renovação política, abrindo caminho
para que governantes discutam "projetos estruturantes". "A experiência acumulada em quase trinta
anos de vigência da regra da reeleição não correspondeu às expectativas. O
saldo da experiência pode, a nosso ver, ser assim resumido: ao prejuízo,
previsível, do retardo no processo de renovação dos quadros políticos, deve-se
somar o prejuízo, inesperado, decorrente do viés eleitoreiro que a perspectiva
da reeleição induziu no desempenho dos mandatários", disse.
Mandato maior – A PEC amplia a duração dos mandatos de todos os
cargos políticos. Regras de transição diferentes serão aplicadas, a fim
de efetivar as mudanças, ao longo dos próximos anos.
O
texto prevê que vereadores, deputados estaduais, deputados federais, prefeitos,
governadores e presidente da República passem a ter mandatos com duração de cinco anos, ao invés de quatro, como
atualmente.
No
caso dos governadores e do presidente, a mudança somente ocorrerá em 2034. Antes disso, os eleitos em 2026
e 2030 continuarão a exercer os cargos pelo período de quatro anos.
Para
prefeitos e vereadores, a medida estabelece uma regra de transição distinta. Em
2028, os que forem eleitos para esses cargos terão um mandato de seis anos. A
partir das eleições de 2034, prefeitos e vereadores passarão a ter mandatos de cinco
anos.
Deputados
federais e estaduais também passarão
a ter cinco anos, em 2034. Nas eleições de 2026 e 2030, os candidatos
seguirão disputando mandatos de quatro anos.
Os
mandatos de senadores passarão a ter duração ampliada. De acordo com a
PEC, os senadores vão ganhar mais dois
anos, saindo de oito para dez anos de mandato. Os primeiros senadores
beneficiados serão os eleitos em 2034.
Antes, haverá uma espécie de transição: os eleitos em 2026 terão oito anos de
mandato; e os eleitos em 2030, nove anos.
A
PEC também propõe a ampliação dos mandatos de presidentes da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal. Ao longo de cinco anos de trabalho, deputados e
senadores vão eleger dois presidentes. O primeiro será presidente por três
anos. O segundo, por dois anos.
Assim
como a regra atual, o presidente da Câmara ou do Senado em exercício não poderá
disputar reeleição dentro de uma mesma legislatura, o equivalente ao tempo de
mandato de um deputado (cinco anos).
Eleição unificada – A Proposta de Emenda à Constituição também cria uma eleição nacional unificada, a partir
de 2034. Segundo o texto, em uma única data, serão realizadas eleições para
prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores e presidente da
República.
Além
disso, estabelece um intervalo único entre pleitos, que passará a ser de cinco
anos e será contado, simultaneamente, para todos os cargos. Atualmente, as
eleições municipais ocorrem em anos diferentes das eleições gerais, havendo um
intervalo de dois anos entre os pleitos.
O
relator entende que a mudança reduzirá gastos da Justiça Eleitoral com pleitos.
"A mobilização do aparato necessário à organização de cada eleição é uma
operação dispendiosa, que consome recursos públicos escassos, num país em que
necessidades prementes da população não foram ainda devidamente equacionadas. A
unificação também propiciará uma redução dos recursos públicos empregados no
financiamento de campanhas", afirma Castro.
Otto
Alencar (PSD-BA), presidente da
CCJ do Senado, defende que a unificação dos pleitos também ajudará a acabar com
um clima constante de eleição. "Eleição de dois em dois anos não dá
descanso nem ao eleitor, muito menos àquele que é candidato, do vereador ao
presidente da República. Nós tivemos eleição no ano passado. No meu estado, não
se fala em outra coisa a não ser a sucessão do governador, que quer governar,
mas a pressão política é tão grande, que atrapalha, às vezes, a governar. O
presidente da República, o presidente Lula, neste ano, só se fala na
sucessão", destaca.
*Com informações do portal de notícias
g1.