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Segurança

Operação policial termina com influenciadores, rifeiros e policiais presos, na Bahia

09 de Abril de 2025 | 09h 42
Operação policial termina com influenciadores, rifeiros e policiais presos, na Bahia
Foto: Divulgação/PCBA

A Polícia Civil da Bahia (PCBA) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a Operação Falsas Promessas 2, com o intuito de combater um esquema de lavagem de dinheiro oriundo de rifas ilegais nas redes sociais. O grupo criminoso teria movimentado R$ 680 milhões.

Ao todo, 22 pessoas foram presas. Dentre os envolvidos detidos, estão cinco policiais militares; o casal de rifeiros José Roberto Santos, mais conhecido como Nanam Premiações, e Gabriela Silva; e o influenciador digital Ramhon Dias, que tem 427 mil seguidores apenas em uma de suas redes sociais.

De acordo com o inquérito, Ramhon Dias chegou a ser preso na primeira fase da operação, em setembro de 2024. No entanto, foi solto, um mês depois, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Nanam Premiações e Gabriela Silva, que, juntos, somam mais de 250 mil seguidores nas redes sociais, são apontados como líderes do esquema criminoso. O casal foi detido em um condomínio de luxo situado na Estrada do Coco, na RMS.

Segundo a PCBA, Nanam também foi preso na primeira fase da operação, mas passou a responder em liberdade, pouco mais de um mês após.

Outras duas pessoas, que não tiveram os nomes divulgados, também foram detidas, na manhã de hoje, em Vera Cruz, na Região Metropolitana de Salvador, e em Juazeiro, no Norte da Bahia. As investigações apontam que elas exerciam papeis centrais no planejamento e coordenação das atividades ilícitas do grupo, em diferentes áreas.

Dentre os policiais presos, está Lázaro Andrade, conhecido como Alexandre Tchaca. Ele tem 169 mil seguidores, nas redes sociais. No dia 21 de março, em uma postagem, ele chegou a dizer que estavam tentando "armar contra ele" e que, "a depender das cenas do próximo capítulos", ele "largaria nomes", mesmo sem querer, porque ele tinha que "cair atirando".

No vídeo divulgado nas redes sociais, o agente revelou que, desde novembro de 2024, ele e outros policiais receberam o informe de mandado de busca e apreensão.

Além disso, contou que recebeu a foto de um processo, juntamente com a informação de que a ação, que corria em Segredo de Justiça, confirmava o nome dele e de outros colegas como investigados. Alexandre Tchaca afirmou, ainda, na mesma gravação, que não deixaria "ninguém acabar com a conduta dele".

O ESQUEMA – Conforme a PCBA, a quadrilha atuava, fortemente, em Salvador, na RMS, em São Felipe, Vera Cruz, Juazeiro e Nazaré, por meio de uma estrutura sofisticada de transações financeiras, usando empresas de fachada e “laranjas” para disfarçar a origem dos valores obtidos ilicitamente.

O inquérito mostra, ainda, que policiais militares da ativa e ex-agentes da Polícia Militar da Bahia (PMBA) integravam o esquema fraudulento, oferecendo proteção, fornecendo informações privilegiadas e, em alguns casos, atuando diretamente, como operadores das rifas ilegais.

O grupo usava as redes sociais para divulgar rifas de centavos com prêmios de alto valor, a exemplo de veículos de luxo. Com isso, atraía um grande número de participantes.

Os sorteios, todavia, eram manipulados e os prêmios, frequentemente, entregues a integrantes da própria organização criminosa. O objetivo, de acordo com a Polícia Civil, era legitimar o esquema e ampliar os lucros.

Segunda faseAlém das prisões efetuadas, a PCBA cumpriu 30 mandados de busca e apreensão e seis medidas cautelares, no âmbito da Operação Falsas Promessas 2.

Durante a ação, foram apreendidos veículos de luxo, relógios, dinheiro, celulares e notebooks. A Justiça autorizou, ainda, o sequestro de até R$ 10 milhões por CPF ou CNPJ investigado, somando um bloqueio total de R$ 680 milhões, em bens e valores.

A operação, que foi conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD), ainda está em curso, na capital baiana, na RMS, em outras cidades do interior do estado e, também, em São Paulo.

Cerca de 300 policiais civis participam da ação, com o apoio do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic); da Coordenação de Operações de Polícia Judiciária; do Departamento de Homicídios e Proteção à pessoa (DHPP); do Departamentos de Polícia do Interior (Depin); do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom); do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc); do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV); e do Departamento de Inteligência Policial (DIP). A Corregedoria da Polícia Militar da Bahia acompanha a operação.



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