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Sobretaxas impostas por Trump prejudicarão os Estados Unidos, diz Lula

27 de Março de 2025 | 13h 07
Sobretaxas impostas por Trump prejudicarão os Estados Unidos, diz Lula
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ao encerrar uma visita de Estado ao Japão, na noite desta quarta-feira (26), manhã de quinta-feira (27) no país asiático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, ao ser questionado, durante uma coletiva de imprensa, sobre a mais nova tarifa imposta pelo governo norte-americano ao comércio internacional, que a medida afetará, sobretudo, os Estados Unidos.

Para Lula, a imposição de uma nova sobretaxa de 25%, desta vez sobre os carros importados que chegam ao país norte-americano, prejudicará a economia local. Em função disso, opinou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisa ter mais cautela, ao tomar decisões. "O que o presidente Trump precisa é medir as consequências dessas decisões. Se ele está pensando que tomando essa decisão de taxar tudo aquilo que os Estados Unidos importam [vai ajudar], eu acho que vai ser prejudicial aos Estados Unidos. Isso vai elevar o preço das coisas e pode levar a uma inflação que ele ainda não está percebendo", avaliou.

O chefe de Estado brasileiro também observou que o país costuma importar muitos veículos, sobretudo de países asiáticos. “Os EUA importam muito carro japonês e têm muitas empresas japonesas produzindo carros lá. Eu, sinceramente, não vejo o benefício de aumentar em 25% os carros comprados do Japão. A única coisa que eu sei é que vai ficar mais caro para o povo americano comprar. E esse mais caro pode resultar no aumento da inflação, e esse aumento da inflação pode significar aumento de juros. E aumento de juros pode significar contenção da economia", destacou.

OMC e retaliações – Lula afirmou, ainda, que seu governo vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter outra tarifa imposta pelos Estados Unidos. Esta seria a mais prejudicial ao Brasil, até agora, uma vez que se trata de uma elevação de 25% sobre a importação de aço e alumínio. "Da parte do Brasil, ele taxou o aço brasileiro em 25%. Temos duas decisões a tomar. Uma é recorrer à Organização Mundial do Comércio, e nós vamos recorrer. A outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que importamos, colocando em prática a lei da reciprocidade", disse.

De acordo com o brasileiro, a segunda possibilidade, no entanto, só será colocada em prática se a queixa na OMC não surtir efeito, ou seja, se não levar a uma negociação entre os dois países.

Lula também voltou a lembrar que o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos é ligeiramente favorável aos norte-americanos. E defendeu que as condições para o livre-comércio mundial prevaleçam. "Estou muito preocupado com o comportamento do governo americano, com essa taxação de todos os produtos, de todos os países. No fundo, o livre comércio é o que está sendo prejudicado”, ponderou.

O político ressaltou sua preocupação em relação aos atos de Trump. “Estou preocupado porque o multilateralismo está sendo derrotado. E estou preocupado porque o presidente americano não é xerife do mundo, ele é apenas presidente dos Estados Unidos", criticou.

carne ao Japão – Durante a entrevista, Lula também comentou sobre as tratativas com o Japão para acelerar a abertura do mercado para a carne bovina brasileira, uma demanda histórica do setor.

Mais cedo, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, informou sobre o envio de uma missão oficial ao Brasil, com o intuito de dar seguimento aos protocolos de liberação sanitária. "Temos que respeitar a decisão japonesa. Cada país tem um critério. O que eu ouvi do primeiro-ministro é que ele vai, o mais rápido possível, mandar os especialistas dele, para analisar o rebanho brasileiro. E, depois, vamos ver a decisão. O dado concreto é que nós vendemos uma carne de muita qualidade e a carne mais barata entre todos os países. Eu acredito que, ainda este ano, a gente vai ter uma solução da questão da carne", previu Lula.

O presidente também se comprometeu a investir, ao longo do ano, no avanço de um acordo comercial entre os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) com o Japão. "Eu vou assumir a presidência do Mercosul no segundo semestre. E, se depender de mim, vamos trabalhar para que haja o acordo do Mercosul com o Japão. É bom para os países do Mercosul e para o Japão. Quanto mais facilitação para a negociação, melhor”, declarou.

Agenda – Lula chegou ao Japão na última segunda-feira (24). Na manhã do dia seguinte (25), participou de uma cerimônia de boas-vindas, com honras militares, no Palácio Imperial, em Tóquio, capital japonesa.

Após reunião reservada com o casal imperial e almoço privado, o presidente se encontrou com empresários brasileiros ligados à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a fim de debater a abertura do mercado japonês ao setor.

O presidente brasileiro também participou de jantar oferecido a ele e à primeira-dama, Janja Lula da Silva, pelo imperador do Japão, Naruhito, e a imperatriz, Masako. Na ocasião, pediu o “firme engajamento” do Japão na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em novembro, em Belém, capital do Pará.

Nesta quarta-feira (26), o presidente teve o dia mais cheio de sua visita ao país asiático. A agenda começou com representantes de sindicatos japoneses. Por meio de suas redes sociais, Lula afirmou que o objetivo foi falar de questões trabalhistas e de como melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, no Brasil e no Japão.

O chefe de Estado brasileiro também falou no Fórum Empresarial Brasil-Japão. Pelo lado brasileiro, estiveram presentes empresários dos setores de alimentos, agronegócio, aeroespacial, bebidas, energia, logística e siderurgia. Durante o evento, Lula convocou os japoneses a investirem no Brasil e criticou o crescimento do negacionismo climático e do protecionismo comercial.

Além disso, foi anunciado um acordo entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a ANA, maior companhia aérea japonesa, para a compra de 20 jatos E-190.

Após outras reuniões bilaterais, Lula se encontrou com o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, no Palácio Akasaka, para firmar compromissos entre os dois países.

Ao todo, foram assinados dez acordos de cooperação, em áreas como comércio, indústria e meio ambiente, além de 80 instrumentos entre entidades subnacionais, como empresas, bancos, universidades e institutos de pesquisas.

Os dois países também anunciaram um plano de ação para revitalizar a Parceria Estratégica Global, um nível mais elevado nas relações diplomáticas estabelecidas desde 2014.

Na sequência, foi oferecido um jantar a Lula e à comitiva brasileira, que é composta pela primeira-dama Janja e por ministros, parlamentares, empresários e sindicalistas.

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), também compõem a delegação brasileira.

A viagem internacional prossegue, nesta quinta-feira, quando o presidente parte para Hanói, no Vietnã. Esta compõe a segunda parte da agenda internacional de Lula no continente asiático.

 


 

*Com informações da Agência Brasil.



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