Após o recesso de Carnaval, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário retomam, esta semana, os trabalhos dos plenários e comissões. Com isso, os parlamentares devem destravar a tramitação do Orçamento de 2025, ainda não votado, por divergências políticas.
No Judiciário, segue a expectativa acerca da marcação da data
do julgamento da denúncia referente à trama golpista envolvendo o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) e mais 33
denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nesta terça-feira (11), a Comissão Mista de Orçamento do
Congresso Nacional começará a discutir o relatório final da Lei Orçamentária
Anual (LOA). O projeto deveria ter sido aprovado em dezembro do ano passado,
mas as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a suspensão do
pagamento das emendas parlamentares travaram a tramitação da proposta.
No final de fevereiro, o ministro Flávio Dino, do STF, e a
cúpula do Congresso Nacional chegaram a um entendimento, com o objetivo de garantir
a transparência e a rastreabilidade no que tange à aplicação dos recursos oriundos das emendas.
Segundo o acordo aprovado pela Suprema
Corte, a partir do exercício financeiro de 2025, não será mais possível
empenhar emendas sem a identificação do parlamentar que fez a indicação dos
recursos e da entidade que vai receber o dinheiro.
Trama golpista – Esta semana, a Procuradoria-Geral da República (PGR)
deve se manifestar sobre os argumentos apresentados pelos advogados dos
denunciados pela tentativa de golpe durante o governo Bolsonaro.
O STF já recebeu as defesas de 28
dos 34 denunciados. A PGR
tem até a próxima sexta-feira (14) para se manifestar sobre as questões
apontadas pelos advogados dos acusados.
Após receber as manifestações da PGR, o julgamento deve ser
marcado pela Primeira Turma da Suprema Corte. O colegiado será responsável pelo
julgamento que vai decidir se Bolsonaro e dos demais acusados vão se tornar
réus no processo.
Posse – Na terça-feira (11), a ministra Maria
Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar (STM), tomará posse como
presidente da Corte. A magistrada compõe o STM desde 2007, quando indicada
durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Maria Elizabeth Rocha
é a primeira mulher nomeada para o STM em 216 anos de funcionamento do órgão. De 2013 a 2015, a ministra
chegou a assumir, em caráter temporário, a presidência da Corte Militar, mas
para um mandato-tampão.
Crime da 113 Sul – O Superior Tribunal de Justiça (STJ)
também marcou para esta terça-feira (11) o julgamento de dois recursos relativos
ao assassinato de José Guilherme Villela, ex-ministro do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE); da esposa dele, Maria Carvalho Villela, e da empregada da
família, Francisca Nascimento da Silva.
Ocorrido em 2009, o caso ficou conhecido como Crime da 113
Sul, quadra residencial de Brasília onde o casal residia. As vitimas foram assassinadas
a facadas.
Dez anos depois, a filha do ex-ministro, Adriana Vilela, foi
condenada a 60 anos de prisão, pelo Tribunal
do Júri de Brasília, sob acusação de atuar como mandante dos homicídios.
O STJ julgará um recurso da defesa
da arquiteta para anular a condenação. Também deve apreciar um recurso do
Ministério Público (MP) para que a prisão da ré seja determinada em caráter imediato.
Os promotores à frente do caso salientaram que a acusada não
pode mais recorrer em liberdade. Isto após o STF ter validado, em setembro de
2024, prisões imediatas de condenados pelo Tribunal do Júri. Com a decisão, criminosos
que condenados por homicídio passarão a cumprir a pena imediatamente, sem o
direito de seguir recorrendo em liberdade.
Laqueadura – Na próxima quarta-feira (12), o
plenário do Superior Tribunal Federal também retoma o julgamento sobre a
constitucionalidade da lei que estabeleceu a idade mínima de 21 anos e o número
mínimo de dois filhos para realização de vasectomia e laqueadura.
A análise do caso foi suspensa em
novembro do ano passado,
após um pedido de vista do ministro Cristiano Zanin.
*Com informações da
Agência Brasil.