É comum, nas conversas com a gente da Feira de Santana, ouvir o comentário: “Feira é grande!”. Quase sempre, porém, essas observações se referem à Feira de Santana urbana, citadina, com suas ruas e avenidas, largos e praças, bairros e distritos.
Há, porém, uma Feira de Santana pouco conhecida, que só vem à
tona em notícias esparsas, em comentários ocasionais. É a Feira profunda, que
vai além dos distritos e que, para boa parte da população, só existe nos mapas.
O município de Feira de Santana – o somatório das áreas
urbana e rural – é grande: corresponde a 1.304 quilômetros quadrados. É maior
do que o Rio de Janeiro, a capital fluminense, com seus 1.200 quilômetros
quadrados.
Quem me advertiu sobre essa informação – pouco conhecida, aliás – foi Antônio Rosevaldo Ferreira, professor de economia da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).
A Princesa do Sertão, a propósito, perde, por pouco, para a megalópole São Paulo, com seus 1.521 quilômetros quadrados. Em relação a Salvador – espremida pelo mar –, a vantagem é significativa: a antiga Cidade da Bahia tem pouco menos de 694 quilômetros quadrados.
As duas principais metrópoles brasileiras são imensas – e áridas – extensões de concreto e asfalto. Faz pouco sentido – ou nenhum – discutir o rural, nesses lugares. A Feira de Santana, porém, é um interminável suceder de imóveis de um, dois ou três pavimentos, na média; mas dispõe de uma ampla e pouco debatida dimensão rural.
Quem sabe quais são os extremos feirenses, ao Norte e ao Sul,
a Leste e a Oeste? Todos são rurais. Normalmente, fazendas e pequenas
comunidades. Compõem – imagino – paisagens bem diversas, abarcando a caatinga
inóspita e a larga faixa litorânea, ampliada com seus vestígios de mata
atlântica.
Bem ao Norte – o ponto mais extremo “lá em cima” –, o
município faz fronteira com Candeal. Uma mesma fazenda – Malhada da Areia –
está nos limites dos dois municípios e é cortada pelo Rio do Peixe, que
delineia a fronteira da Feira de Santana e de Candeal.
A localidade Caiçara, entre as fazendas Serra da Agulha e Ipanema, é a que está mais ao norte. Nas cercanias, mais ao Sul, está o distrito de Jaguara. No extremo oposto, ao Sul, estão as fazendas Cumbe e Mocó, que delimitam a Feira de Santana naquela direção. Estão próximas do antigo distrito de Ipuaçu, hoje, Governador João Durval Carneiro.
Localizam-se pouco mais ao Sul das fazendas Meu Sonho e
Rancho Rio Fundo, no distrito de Humildes. Limitam-se – todas elas – com o
vizinho município de São Gonçalo dos Campos. Nesta porção de extremo Sul, o Rio
Jacuípe delimita a Princesa do Sertão.
Bem perto de Humildes, localiza-se, curiosamente, o ponto
mais a Leste da Feira de Santana. É uma espécie de tríplice fronteira, com os
municípios de Conceição do Jacuípe e Coração de Maria.
Não é distante da BR 324, nem do acesso à BR 101, que fica um
pouco mais ao Sul. O ponto de referência mais próximo é a Escola Municipal José
Pinto de Souza.
Por fim, há o Oeste feirense. Este se delimita com o
município de Serra Preta. A fazenda Gameleira é um ponto de referência próximo,
mas há, também, uma escola, a Timóteo Moreira Duarte.
No mapa, aquela região – no distrito de Bonfim de Feira – tem
um recorte curioso: estreita-se na localidade de Pedra Branca, alargando-se
mais a Oeste, alargando-se muito, entre os municípios de Anguera e Ipecaetá.
Apresenta paisagem tipicamente de caatinga.
No meio destes quatro quadrantes, há a chamada mancha urbana,
os distritos e suas comunidades. Mas há, também, amplas extensões rurais, com
suas inúmeras fazendas, pouco conhecidas da Feira de Santana citadina, urbana,
metropolitana.
Os limites do município da Feira de Santana podem ser consultados no endereço eletrônico https://sei.ba.gov.br/site/geoambientais/mapas/pdf/municipal/mapa_sem_descritivo_2910800_1.pdf. Trata-se do site da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, a SEI. Vale à pena conhecer um pouco mais do município, consultando o mapa.