O Congresso Nacional terá uma semana intensa de votações importantes, a partir desta segunda-feira (16), antes do início do recesso legislativo. Na pauta, as prioridades são a votação do pacote de corte de gastos apresentado pelo governo federal, que estima economia de R$ 70 bilhões em dois anos; o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO); e o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
A regulamentação da reforma tributária, aprovada na última
semana, pelo Senado, também deve ser concluída na Câmara dos Deputados. O
presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), assegurou que há total
possibilidade de votar e aprovar as medidas até a próxima sexta-feira (20).
"Nós temos cinco dias úteis na semana que vem. O
presidente [da Câmara] Arthur Lira me disse que está disposto a fazer sessão na
segunda-feira. É plenamente possível submeter à apreciação e à votação na
Câmara, [e então] mandar para o Senado. Nós daremos o regime de urgência nessa
tramitação", afirmou Pacheco em entrevista a jornalistas na última
quinta-feira (12).
Na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) determinou o
cancelamento de todas as reuniões de comissões entre os dias 12 e 20 de
dezembro, destinando esse período exclusivamente à discussão e à votação de
propostas no Plenário.
Rodrigo Pacheco, que preside o Congresso Nacional, o órgão
máximo de deliberação composto por deputados e senadores, prevê sessões
deliberativas na quarta-feira e na quinta-feira, para votar justamente a LDO e
a PLOA.
Até a semana passada, a votação dos projetos, especialmente
do pacote fiscal, era incerta devido a insatisfação de parlamentares com uma
decisão judicial do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
que reforçou a exigência de série de regras de transparência sobre os recursos.
Para não inviabilizar o pagamento das emendas até o fim do
ano, o governo federal editou uma portaria conjunta interministerial e um
parecer de força executória da Advocacia Geral da União (AGU) como forma de
acelerar a liberação dos recursos.
Até a última atualização, pela Secretaria de Relações
Institucionais (SRI) da Presidência da República, cerca de R$ 7,7 bilhões em
emendas haviam sido liberadas nos últimos dias.
Entenda, a seguir, as votações
prioritárias do esforço concentrado do Poder Legislativo:
Pacote
fiscal – Apresentado
no mês passado, o pacote de corte de gastos é composto por um projeto de lei
ordinária (PL), um projeto de lei complementar (PLP) e uma proposta de emenda à
Constituição (PEC). Entre os principais pontos da proposta de contenção de
gastos estão a redução a médio prazo do abono salarial e um teto no reajuste do
salário mínimo.
No caso do salário mínimo, o PL 4.614/2024, proposto pelo
líder do Governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), tramita em regime
de urgência no Plenário da Câmara.
O texto muda a regra vigente do reajuste salarial do mínimo. Desde 2023, o piso salarial brasileiro é corrigido pela inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) de dois anos anteriores.
A proposta mantém a correção inflacionária, mas a parcela de
crescimento pelo PIB estará nos limites do arcabouço fiscal, sendo até 2,5%
acima da inflação do ano anterior. Para 2025, o salário mínimo subiria 2,9%
acima da inflação, o equivalente ao crescimento da economia de 2023. Com a
limitação prevista, subirá 2,5%, ficando em R$ 1.515 no ano que vem, R$ 6 a
menos que a atual regra. Nos anos em que o PIB encolher, o salário mínimo
subirá pelo menos 0,6% acima da inflação, equivalente ao piso da variação de
gastos do arcabouço fiscal.
Já o abono salarial, benefício que equivale a um 14º salário
para quem ganha até dois salários mínimos (atualmente em R$ 2.824) com carteira
assinada, terá a correção mudada. O valor de até R$ 2.640 será corrigido pela
inflação nos próximos anos, em vez de seguir a política de valorização do
salário mínimo.
Com o abono salarial subindo menos que o salário mínimo, o
governo prevê que o benefício equivalerá a um salário e meio a partir de 2035.
A mudança será discutida por meio de uma PEC, que exige quórum de três quintos
dos votos dos membros de cada Casa, em dois turnos de discussão e votação. Tal
quórum equivale a 60% do total de deputados e de senadores.
Outro item do pacote de corte de gastos é o PLP 210/2024, um
projeto de lei complementar. O texto, também proposto pelo deputado José
Guimarães, autoriza o governo a limitar o pagamento de créditos tributários
caso haja déficit nas contas públicas.
O texto ainda prevê um limite de crescimento das emendas
impositivas às regras arcabouço fiscal, restrição de emendas nas despesas
discricionárias (não obrigatórias) do Poder Executivo e redução de crescimento
real das emendas não impositivas, de modo que o montante total das emendas
crescerá sempre abaixo do arcabouço.
O projeto autoriza o Poder Executivo a fazer o bloqueio e o
contingenciamento de emendas parlamentares na mesma proporção aplicada às
demais despesas discricionárias — até o limite de 15% do valor. A Lei Complementar
210, de 2024, que regulamentou as emendas parlamentares, já previa o
contingenciamento, mas não o bloqueio. O contingenciamento ocorre quando há
risco de não cumprimento da meta fiscal do ano por queda de receitas. O
bloqueio ocorre quando é preciso cumprir o limite de despesas.
A proposta também torna livre a aplicação do superávit
financeiro de oito fundos públicos (Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, Fundo
Nacional Antidrogas, Fundo da Marinha Mercante, Fundo Nacional de Aviação
Civil, Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito, Fundo do Exército,
Fundo Aeronáutico e Fundo Naval).
Por ser um projeto de lei complementar, o quórum exigido é um
pouco maior do que a votação de um projeto de lei ordinária. No caso da lei
complementar, a aprovação depende de maioria absoluta de votos dos integrantes
de cada Casa legislativa: são 257 votos na Câmara e 41 votos no Senado.
Orçamento
e LDO – Na última
semana, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) concluiu a votação dos 16
relatórios setoriais do Orçamento de 2025 (PLN 26/24). Agora, o relator-geral,
senador Ângelo Coronel (PSD-BA) pode preparar o relatório final para votação.
O presidente da comissão, deputado Julio Arcoverde (PP-PI)
convocou reunião para esta terça-feira (17). A Lei Orçamentária Anual estima as
receitas e estabelece as despesas para o exercício financeiro seguinte.
Também está na pauta a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO),
texto que estabelece as prioridades e a meta fiscal do governo para o ano
seguinte e orienta a elaboração do próprio Orçamento.
Reforma
tributária – Após o
Senado aprovar, na última quinta-feira (12), o principal texto de
regulamentação da reforma tributária, o Projeto de Lei Complementar (PL)
68/2024, a matéria retorna à Câmara, para revisão final. A expectativa é que o
Plenário aprove já no início da semana.
Deputados podem ainda modificar o texto, excluindo eventuais
mudanças feitas pelos senadores. O texto trata das regras de incidência do
Imposto Sobre Valor Agregado (IVA Dual), que se subdivide em dois tributos
básicos sobre o consumo: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), em nível
federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), em nível estadual/municipal.
Além disso, haverá o Imposto Seletivo (IS), o chamado
"imposto do pecado", que é uma sobretaxa aplicada sobre determinados
produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Esses
novos impostos são uma unificação de cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e
Cofins) atualmente existentes.
Os novos tributos foram aprovados em emenda constitucional
promulgada no fim do ano passado, na primeira fase da reforma tributária. Ao
longo de 2024, o Congresso Nacional vem se debruçando sobre a regulamentação,
que trata sobre alíquotas dos tributos e como cada setor da economia será
impactado. A transição para o novo modelo tributário será gradual, entre 2026 e
2033.
*FONTE: Agência Brasil, com informações da Agência Senado e da Agência Câmara.