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André Pomponet

O que se come no centro da Feira

André Pomponet - 30 de Agosto de 2024 | 20h 17
O que se come no centro da Feira

Pastel, coxinha, banana real, esfiha, quibe, enroladinho, croquete. No mais, quase sempre muita massa. Pão com recheio de carne, pão com recheio de frango, pão com recheio de queijo e presunto, pão com recreio de linguiça calabresa, pão com recheio de frango com catupiry. Fatias de pizza, há também fatias de pizza: muçarela, quatro queijos, frango, calabresa, portuguesa.

Bebe-se: sucos de polpa multicoloridos, refrescos, sucos artificiais multiprocessados, refrigerantes, em lata, em garrafa plástica, em garrafa de vidro, suco de fruta no liquidificador, até café e água de coco.

Painéis multicoloridos, chamativos, convidam os potenciais clientes que vão passando. A peça – um salgado – custa R$ 2. A peça mais um refrigerante, R$ 5. Três peças podem sair por R$ 5 na promoção. Quem leva 30 peças conta com um desconto ainda mais bacana: cada salgado sai por R$ 1,50.

Basta circular pelo antigo centro comercial da Feira de Santana para se deparar com essas ofertas. Ruas Conselheiro Franco, Monsenhor Tertuliano Carneiro, Sales Barbosa, Marechal Deodoro, avenidas Senhor dos Passos e Getúlio Vargas, até nos becos estreitos que conectam as vias centrais do centro pululam lanchonetes com suas ofertas imperdíveis.

Na lufa-lufa do dia a dia é possível enganar a fome com irrisórios R$ 5: dois salgados miúdos, um copo de refresco. Muita gente lota os balcões estreitos, metálicos, das lanchonetes. Outros compram e saem com o produto em sacolas plásticas, em sacolas de papel.

As lanchonetes avançam de forma avassaladora, muitos restaurantes sumiram do centro feirense. Os que sobrevivem apostam no self service: dois pedaços de carne, os demais alimentos à vontade por R$ 18, por R$ 20. Alguns – poucos – sustentam preços até inferiores, 17 ou 16 reais, nunca menos de R$ 15. Quem dispõe de pouco, portanto, nem hesita: devora os salgados, porque um prato de comida custa mais que o triplo.

Porém, quem não abdica do feijão com arroz, da carne, da salada e da farinha conta também com as barracas. São dezenas, em espaços diversos, ainda não foram removidas do centro feirense. Como atrativo, ao longo da semana oferecem os pratos gordurosos que fazem a alegria dos glutões baianos.

O centro feirense – no fundo, o centro antigo de qualquer grande cidade – vai mudando sem cessar. Uns poucos anos, até alguns meses, trazem transformações marcantes. A dimensão gastronômica é uma delas, mas não a única...



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