Em
Salvador, alguns candidatos a prefeito resolveram enveredar por um debate
canhestro, prometendo restabelecer antigas linhas de ônibus de roteiros longos,
intermináveis, que a partir das periferias remotas engarrafavam a capital
baiana. Pelo jeito, falta criatividade e boas ideias para o enfrentamento
contra Bruno Reis (União), candidato à reeleição.
Parece
que não notaram, mas Salvador evoluiu muito em termos de transporte público ao
longo da última década. Talvez seja a cidade brasileira que mais avançou no
período. Além das duas linhas do metrô, há o BRT já em funcionamento, com
previsão de expansão mais à frente. São obras da própria prefeitura e do
governo estadual, é bom lembrar.
Antigamente
o soteropolitano penava desde os bairros distantes até as regiões comerciais e
economicamente dinâmicas da cidade. A conexão ao sistema metroviário e ao BRT reduz
o tempo de deslocamento e garante mais agilidade nas viagens. Enfim, há mais
qualidade de vida. Não é perfeito, mas é muito melhor que aquilo que havia
antes.
Pois
os adversários do atual prefeito resolveram apostar na ideia controversa. Imagino
que não se deslocam de ônibus e – pior – não se dão ao trabalho de conversar
com quem se desloca. Senão, trariam propostas mais consistentes. Enfim, não há
debate público sobre as questões que inquietam os soteropolitanos.
Aqui
na Feira de Santana ainda não se chegou à fase de discussão de propostas para a
prefeitura. Também não se sabe se chegará. Há muito clichê, muita frase de
efeito, muita retórica. No máximo, propostas vazias, genéricas. Nada que
mobilize, nem entusiasme.
O
que se pensa, por exemplo, sobre o transporte público? Há quem veja o sistema daqui
como exemplar. Imagino que seja quem não utiliza os velhos ônibus que circulam
pelos malcuidados terminais feirenses. Quem utiliza, discorda. É só parar num
ponto qualquer e perguntar para quem está esperando.
Como
foi mencionado, Salvador experimentou um imenso salto qualitativo no sistema de
transporte público. Feira de Santana, por enquanto, espera chegar a sua vez.
Não, não é necessário nenhum metrô, aerotrem, nada de espetaculoso. Mas um
sistema de transporte eficiente, pontual, com roteiros racionais, veículos bem
conservados, sem superlotação, nem tarifas escorchantes.
Isso,
obviamente, depende de recursos dos governos estadual e federal. Exatamente
como aconteceu com Salvador. Feira de Santana é a maior cidade do interior da
Bahia, seus problemas urbanos ganham complexidade crescente, é preciso também mais
atenção com o eleitor local. Mas, na toada em que a campanha segue, nada mudará
nos próximos anos. Nem propostas há.
Arrematando
o texto, ouço o espocar de fogos lá fora, na direção da Queimadinha. O ritmo da
eleição é festivo, há selfies, comilanças e danças, as mídias sociais
fervilham. Mas proposta...