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OMS avalia se mpox deve voltar a ser declarada emergência global

14 de Agosto de 2024 | 10h 39
OMS avalia se mpox deve voltar a ser declarada emergência global
Foto: Arlette Bashizi/Reuters

O comitê de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) se reúne, nesta quarta-feira (14), para avaliar o cenário de surto de mpox na África e o risco de disseminação internacional da doença.

O anúncio foi feito, na semana passada, pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Na ocasião, o gestor enfatizou que a decisão de convocar o conselho considerou o registro de casos fora da República Democrática do Congo, onde, há mais de dois anos, as infecções estão em ascensão.

Ele também destacou que o cenário se agravou, ao longo dos últimos meses, no Congo, por causa de uma mutação no vírus, o que levou à ocorrência de transmissão de pessoa a pessoa. Em função disso, nesta terça-feira (13), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) declarou a situação na região como emergência em saúde pública de segurança continental.

Ao citar a rápida transmissão da doença na África, o diretor-geral da CDC, Jean Kaseya, disse que não se trata apenas de mais um desafio. “O cenário exige ação coletiva", advertiu, enfatizando que o continente africano "já presenciou diversas lutas”.

Kaseya lembrou a importância da união de esforços em prol da superação de problemas de toda ordem. “Já enfrentamos pandemias, surtos, desastres naturais e conflitos. Ainda assim, para cada adversidade, agimos. Não como nações fragmentadas, mas como uma única África. Resilientes, de forma engenhosa e resoluta", frisou.

NúmerosDe janeiro de 2022 a junho de 2024, a OMS registrou 99.176 casos confirmados de mpox, em 116 países. No período, foram contabilizadas 208 mortes provocadas pela doença.

A entidade divulgou, nesta segunda-feira (12), dados do relatório de situação. O documento mostra que, apenas em junho, 934 casos foram confirmados laboratorialmente e quatro mortes foram notificadas em 26 países. Isto, diz a CDC, sinaliza “a transmissão contínua da mpox em todo o mundo”.

De acordo com o número de casos confirmados, as regiões mais afetadas pelo vírus são: África (567 casos), América (175 casos), Europa (100 casos), Pacífico Ocidental (81 casos) e Sudeste Asiático (11 casos). Não houve notificação de casos no Mediterrâneo Oriental, no referido período.

No continente africano, a República Democrática do Congo responde por 96% dos casos confirmados em junho. A OMS alerta, todavia, que, nas zonas rurais, o país tem acesso limitado a testes e que, em 2024, somente 24% dos casos clinicamente compatíveis e notificados como suspeitos no país foram testados.

Este ano, pelo menos quatro novos países da África Oriental, a exemplo do Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda, reportaram seus primeiros casos de mpox. Todos estão ligados ao surto em expansão na região. Conforme a CDC, um surto da doença também foi confirmado na Costa do Marfim. Neste caso, no entanto, trata-se de outra variante, a mesma registrada na África do Sul, onde mais dois casos foram notificados.

Maior letalidadeNo final do mês de junho, a OMS chegou a emitir um alerta sobre uma cepa mais perigosa do mpox. A taxa de letalidade pela nova variante 1b, na África Central, chega a ser de mais de 10% entre crianças pequenas. Já a variante 2b, que provocou a epidemia global de mpox em 2022, registrou taxa de letalidade de menos de 1%.

Imunização A OMS publicou, esta semana, um documento oficial solicitando aos fabricantes de vacinas contra o mpox que submetam pedidos de análise para o uso emergencial das doses. O processo foi desenvolvido, especificamente, para agilizar a disponibilidade de insumos não licenciados, mas necessários em situações de emergência em saúde pública.

Segundo a entidade, “essa é uma recomendação com validade limitada, baseada em abordagem de risco-benefício”. A OMS destacou, ainda, no documento, que os fabricantes precisam apresentar dados que atestem e garantam não só a segurança dos imunizantes, mas também a eficácia e a qualidade para as populações-alvo.

De acordo com o organismo internacional, a concessão de autorização para uso emergencial deve acelerar o acesso às vacinas, sobretudo para países de baixa renda e que ainda não emitiram sua própria aprovação regulamentar.

O processo, destaca a OMS, também permite que parceiros, a exemplo da Aliança para Vacinas (Gavi) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), adquiram doses para distribuição.

A doençaA mpox é uma zoonose viral. Sendo assim, a transmissão para os seres humanos pode ocorrer pelo contato com animais silvestres infectados. Também através de pessoas ou materiais contaminados. Os sintomas clássicos são: erupções cutâneas ou lesões de pele; linfonodos inchados (ínguas); febre; dores no corpo; dor de cabeça; calafrio; e fraqueza.

Na pele, a doença se manifesta por meio de lesões planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. O número de lesões varia entre poucas e milhares.

As erupções se concentram, em geral, no rosto, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés dos pacientes, mas também podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive, na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.

Primeira emergênciaEm julho de 2022, a entidade havia decretado status de emergência, em razão do surto da doença em diversos países. No ano seguinte, em maio, quase uma semana após alterar o status da covid-19, a OMS declarou que a mpox também não configurava mais emergência em saúde pública de importância internacional.

Apesar disso, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou que, assim como com a covid-19, o fim da emergência não significava que o trabalho havia acabado. Também destacou que o mpox continuaria a apresentar “desafios de saúde pública significantes”, que precisariam “de resposta robusta, proativa e sustentável”.

Conforme a entidade, casos relacionados a viagens, registrados em todas as regiões, demonstram a ameaça contínua. “Existe risco, em particular, para pessoas que vivem com infecção por HIV não tratada. Continua sendo importante que os países mantenham sua capacidade de teste e seus esforços, avaliem os riscos, quantifiquem as necessidades de resposta e ajam prontamente, quando necessário”, alertou Adhanom, em 2023.

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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