Acusado de comandar uma suposta
organização criminosa em Feira de Santana, o deputado estadual Kleber Cristian
Escolano de Almeida, mais conhecido como Binho Galinha (PRD), teria realizado
declarações falsas à Receita Federal. O inquérito aberto pelo Ministério
Público do Estado da Bahia (MP-BA), em conjunto com outros órgãos estaduais, incluiu
a análise financeira de locais vinculados ao parlamentar.
De acordo com o Bahia Notícias
(BN), que teve acesso exclusivo à denúncia do MP, as movimentações financeiras realizadas
por empresas envolvidas no esquema não foram comunicadas ao órgão. Por isso chamaram
a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A investigação aponta que ficou comprovado
“o dolo de ocultação ou dissimulação em 21 hipóteses criminais de lavagem, a
incorrer em concurso de crimes, relativas a cada bem ocultado ou
dissimulado".
O MP, diz o BN, detalhou que, dentre os delitos, está a dissimulação de valores oriundos de infrações penais, para aquisição de um terreno no fundo da churrascaria "Los Pampas", uma das principais de Feira de Santana. Outro exemplo de suposta "dissimulação de valores" foi a ocultação de uma propriedade localizada no condomínio Palm Garden, no bairro Pedra do Descanso, na Vila Olímpia.
O MP também denuncia a compra ilícita de sítios, casas de praia, fazendas, carros, motos e outros bens imóveis, como é o caso de propriedades na Vila Suíça Confort Home e Condomínio Amarilis Residencial, no bairro Papagaio.
Ainda conforme o Bahia Notícias, imóveis
situados em outros municípios, como é o caso de São Sebastião do Passé, também
teriam sido ocultados pelo grupo miliciano supostamente chefiado por Binho
Galinha.
PRINCIPAL ALVO – O deputado é considerado o
principal alvo da Operação El
Patron, deflagrada no fim de 2023. Na ocasião, foram cumpridos dez
mandados de prisão preventiva, 33 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de
R$ 200 milhões das contas bancárias dos investigados e o sequestro de
40 propriedades urbanas e rurais. Também foi cumprida a suspensão de
atividades econômicas de seis empresas.
Conforme o BN, o MP-BA cobrou um valor total de R$ 700 milhões, acrescentando soma correspondente a danos morais cometidos pelo grupo criminoso. À época, Binho Galinha disse, por meio de nota, que confiava na Justiça e que estava à “disposição para dirimir dúvidas e contribuir quanto à transparência dos fatos”.