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Crise de segurança se agrava no Haiti e premiê segue desaparecido; governo brasileiro acompanha "com preocupação"

05 de Março de 2024 | 12h 36
Crise de segurança se agrava no Haiti e premiê segue desaparecido; governo brasileiro acompanha
Foto: Luckenson Jean/AFPTV/AFP

A onda de violência que tomou conta do Haiti, país da América Central, após gangues libertarem mais de 3,5 mil detentos, no último domingo (3), tem deixado os países do continente americano em estado de alerta. O governo brasileiro declarou que acompanha a situação com bastante preocupação.

O Haiti enfrenta uma grave crise política, econômica, social e de segurança pública desde que o então presidente, Jovenel Moise, foi morto a tiros, em 2021, em sua residência, na capital do país, Porto Príncipe. Mas a situação saiu totalmente do controle mais recentemente.

Agências internacionais de notícias informaram que, durante a invasão a uma penitenciaria local, ao menos dez pessoas morreram durante. Agora, as gangues tomaram conta das ruas. Os tiroteios se intensificaram nesta segunda-feira (4), em vários pontos de Porto Príncipe, inclusive no aeroporto.

Reconhecendo a “deterioração da segurança”, o governo do Haiti decretou estado de emergência e toque de recolher. Para agravar ainda mais a situação, o paradeiro do atual primeiro-ministro, Ariel Henry, continua desconhecido.

De acordo com a Agência Brasil, diante desse caótico cenário, o governo brasileiro se posicionou, cobrando apoio internacional ao país. Por meio de nota, o Itamaraty pediu que medidas concretas fossem tomadas, como, por exemplo, o envio de uma missão internacional de segurança. "Ao recordar seu histórico compromisso com a estabilização do Haiti, o Brasil conclama a comunidade internacional a adotar, com urgência, passos concretos para apoiar o país, em particular por meio da implementação da Resolução 2699 (2023) do Conselho de Segurança da ONU, que cria a Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti (MSS), bem como por meio de ações em prol do desenvolvimento do país", escreveu o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Além disso, o governo brasileiro também chamou as lideranças haitianas à responsabilidade, para que contribuam para a realização de eleições, assim que a situação de violência esteja, ainda que minimamente, contornada, de modo a garantir segurança a eleitores e candidatos. "O governo brasileiro reitera, igualmente, a importância de que os principais atores políticos haitianos se engajem em processo de diálogo nacional, com vistas à realização de eleições tão logo sejam dadas as condições de segurança", disse o Itamaraty. 

Conforme o órgão, a embaixada do Brasil em Porto Príncipe está em contato com a comunidade brasileira. Até o momento, diz a Agência Brasil, não há registro de nenhum brasileiro afetado diretamente pelos conflitos.

Ataques e fugasNas últimas horas, o número de desalojados que fogem dos confrontos entre bandos armados e a polícia, no centro da capital, aumentou. O clima é bastante tenso, porque continuam surgindo informações sobre possíveis ataques contra instituições públicas.

No último sábado (2), criminosos armados atacaram as duas maiores prisões do Haiti, a La Capitale e a Croix des Bouquets, de onde fugiram cerca de 3,6 mil detentos, muitos deles líderes de organizações criminosas.

Segundo a Agência Brasil, ontem, enquanto escolas, universidades, estabelecimentos privados e instituições públicas da capital permaneceram fechados, o Exército e a polícia haitianos foram destacados para o principal aeroporto de Porto Príncipe, Toussaint Louverture. O objetivo era enfrentar os bandos armados que tentavam, novamente, tomar o controle do terminal aeroviário.

O intenso tiroteio criou uma situação de grande tensão na região. As pessoas fugiram, em pânico. Todos os voos programados no aeroporto foram cancelados. Também surgiram rumores de que Ariel Henry regressaria, em breve, ao país.

escalada de violência – A nova onda de violência no Haiti começou na quinta-feira (29), após o primeiro-ministro das Bahamas, Phillip Davis, informar que o premiê haitiano havia se comprometido a realizar eleições até 31 de agosto de 2025. Isto enfureceu os líderes das quadrilhas armadas, que passaram a exigir a destituição do chefe do governo.

De acordo com a Agência Brasil, atualmente, quem responde pelo Haiti é Patrick Michel Boivert. O ministro da Economia assumiu o comando do país após o desaparecimento de Ariel Henry. Frente à gravidade dos fatos, ele decidiu declarar estado de emergência e um toque de recolher obrigatório, de 72 horas, no departamento ocidental, onde está a capital, Porto Príncipe. A medida pode ser estendida por mais três dias.



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