A onda de violência que tomou conta
do Haiti, país da América Central, após gangues libertarem mais de 3,5 mil
detentos, no último domingo (3), tem deixado os países do continente americano
em estado de alerta. O governo brasileiro declarou que acompanha a situação com
bastante preocupação.
O Haiti enfrenta uma grave
crise política, econômica, social e de segurança pública desde que o então
presidente, Jovenel Moise, foi morto a tiros, em 2021, em sua residência, na
capital do país, Porto Príncipe. Mas a situação saiu totalmente do controle
mais recentemente.
Agências internacionais de notícias
informaram que, durante a invasão a uma penitenciaria local, ao menos dez
pessoas morreram durante. Agora, as gangues tomaram conta das ruas. Os
tiroteios se intensificaram nesta segunda-feira (4), em vários pontos de Porto
Príncipe, inclusive no aeroporto.
Reconhecendo a “deterioração da
segurança”, o governo do Haiti decretou estado de emergência e toque de
recolher. Para agravar ainda mais a situação, o paradeiro do atual primeiro-ministro,
Ariel Henry, continua desconhecido.
De acordo com a Agência Brasil, diante desse caótico cenário,
o governo brasileiro se posicionou, cobrando apoio internacional ao país. Por
meio de nota, o Itamaraty pediu que medidas concretas fossem tomadas, como, por
exemplo, o envio de uma missão internacional de segurança. "Ao recordar
seu histórico compromisso com a estabilização do Haiti, o Brasil conclama a
comunidade internacional a adotar, com urgência, passos concretos para apoiar o
país, em particular por meio da implementação da Resolução 2699 (2023) do
Conselho de Segurança da ONU, que cria a Missão Multinacional de Apoio à
Segurança no Haiti (MSS), bem como por meio de ações em prol do desenvolvimento
do país", escreveu o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Além disso, o governo brasileiro também chamou as lideranças
haitianas à responsabilidade, para que contribuam para a realização de eleições,
assim que a situação de violência esteja, ainda que minimamente, contornada, de
modo a garantir segurança a eleitores e candidatos. "O governo brasileiro
reitera, igualmente, a importância de que os principais atores políticos
haitianos se engajem em processo de diálogo nacional, com vistas à realização
de eleições tão logo sejam dadas as condições de segurança", disse o
Itamaraty.
Conforme o órgão, a embaixada do Brasil em Porto Príncipe
está em contato com a comunidade brasileira. Até o momento, diz a Agência
Brasil, não há registro de nenhum brasileiro afetado diretamente pelos conflitos.
Ataques e fugas – Nas últimas horas, o número de desalojados que fogem
dos confrontos entre bandos armados e a polícia, no centro da capital, aumentou.
O clima é bastante tenso, porque continuam surgindo informações sobre possíveis
ataques contra instituições públicas.
No último sábado (2), criminosos armados atacaram as duas
maiores prisões do Haiti, a La Capitale e a Croix des Bouquets, de onde fugiram
cerca de 3,6 mil detentos, muitos deles líderes de organizações criminosas.
Segundo a Agência Brasil, ontem, enquanto escolas,
universidades, estabelecimentos privados e instituições públicas da capital
permaneceram fechados, o Exército e a polícia haitianos foram destacados para o
principal aeroporto de Porto Príncipe, Toussaint Louverture. O objetivo era enfrentar
os bandos armados que tentavam, novamente, tomar o controle do terminal
aeroviário.
O intenso tiroteio criou uma situação de grande tensão na
região. As pessoas fugiram, em pânico. Todos os voos programados no aeroporto foram
cancelados. Também surgiram rumores de que Ariel Henry regressaria, em breve,
ao país.
escalada
de violência – A
nova onda de violência no Haiti começou na quinta-feira (29), após o
primeiro-ministro das Bahamas, Phillip Davis, informar que o premiê haitiano
havia se comprometido a realizar eleições até 31 de agosto de 2025. Isto
enfureceu os líderes das quadrilhas armadas, que passaram a exigir a
destituição do chefe do governo.
De acordo com a Agência Brasil, atualmente, quem responde
pelo Haiti é Patrick Michel Boivert. O ministro da Economia assumiu o comando do
país após o desaparecimento de Ariel Henry. Frente à gravidade dos fatos, ele
decidiu declarar estado de emergência e um toque de recolher obrigatório, de 72
horas, no departamento ocidental, onde está a capital, Porto Príncipe. A medida
pode ser estendida por mais três dias.