Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, segunda, 15 de junho de 2026

Mundo

Brasil sobe o tom e repudia massacre de palestinos famintos, por Israel: ‘intolerável’

01 de Março de 2024 | 13h 45
Brasil sobe o tom e repudia massacre de palestinos famintos, por Israel: ‘intolerável’
Foto: Shadi Tabatibi/Reuters

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil repudiou, nesta sexta-feira (1º), o massacre de 110 palestinos que se aglomeravam em torno de caminhões de ajuda humanitária, na Faixa de Gaza. O Itamaraty disse que os assassinatos “por tiros, pisoteio ou atropelamento” configuram uma “situação intolerável, que vai muito além da necessária apuração de responsabilidades pelos mortos e feridos de ontem”.

Segundo a Agência Brasil, o governo brasileiro também apontou a falta de princípios éticos nas ações do Estado israelense. “O governo Netanyahu volta a mostrar, por ações e declarações, que a ação militar em Gaza não tem qualquer limite ético ou legal. E cabe à comunidade internacional dar um basta para, somente assim, evitar novas atrocidades. A cada dia de hesitação, mais inocentes morrerão. A humanidade está falhando com os civis de Gaza”, disse o órgão, por meio de nota.

Além dos mortos, a estimativa é de que haja entre 280 a 750 pessoas feridas no massacre. As autoridades palestinas atribuem o morticínio aos militares israelenses. O Estado de Israel contestou o relato, embora tenha assumido que soldados abriram fogo contra uma multidão. No entanto, tentou justificar, declarando que seus militares se sentiram “ameaçados”.

Além disso, o governo de Netanyahu alegou que muitos palestinos morreram pisoteados ou atropelados, ao buscar ajuda humanitária. Nas redes sociais e emissoras de TV, circulam imagens de dezenas de mortos em caminhões e o desespero dos sobreviventes sitiados na Cidade de Gaza, no Norte do enclave palestino.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, criticou a ação israelense e cobrou uma investigação independente sobre o que vem sendo chamado de “massacre da farinha”, já que os civis palestinos famintos tentavam conseguir um pouco da matéria-prima para fazer pão.

Cínica e ofensivaPara o Itamaraty, as declarações feitas por uma alta autoridade do governo de Israel são “cínicas e ofensivas”. As manifestações, disse o órgão que responde pelas relações internacionais do Brasil, deveriam “ser a gota d’água para qualquer um que realmente acredite no valor da vida humana”.

A crítica foi endereçada ao ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. O membro do Estado governado pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu deu “total apoio” ao assassinato de palestinos famintos.

Gvir declarou que a ação dos militares israelenses contra a multidão faminta foi “excelente”, além de ter pedido o fim da ajuda humanitária aos cidadãos acuados no enclave. “A transferência de ajuda humanitária para Gaza não é apenas uma loucura enquanto os nossos raptados estão detidos na Faixa em condições precárias, mas também põe em perigo os soldados das Forças de Defesa de Israel. Essa é outra razão clara pela qual devemos parar de transferir essa ajuda”, afirmou.

Cessar-fogo O comunicado emitido pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil também destaca que o grande número de pessoas em torno de caminhões de ajuda humanitária demonstra “a situação desesperadora a que está submetida a população civil da Faixa de Gaza e as dificuldades para obtenção de alimentos no território”.

Além disso, enfatiza a Agência Brasil, o governo brasileiro lembrou que autoridades da ONU e especialistas em ajuda humanitária denunciam, há meses, a sistemática retenção de caminhões nas fronteiras com o enclave. E afirmou que isto tem provocado a crescente fome que afeta a população civil.

O Governo do Brasil também chamou o mundo à responsabilidade. “Ainda assim, a inação da comunidade internacional diante dessa tragédia humanitária continua a servir como velado incentivo para que o governo Netanyahu continue a atingir civis inocentes e a ignorar regras básicas do direito humanitário internacional”, disparou o Itamaraty.

Por fim, o MRE reiterou “a absoluta urgência de um cessar-fogo e do efetivo ingresso em Gaza de ajuda humanitária em quantidades adequadas, bem como a libertação de todos os reféns”.



Mundo LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

charge

As mais lidas hoje