Após 70 anos de relacionamento, o ex-primeiro-ministro da Holanda, Dries van Agte, e sua esposa,
Eugenie van Agt-Krekelberg, optaram
por morrer juntos, via eutanásia assistida.
Segundo a The Rights Forum, fundação voltada aos direitos
humanos criada pelo ex-premiê, o procedimento foi realizado na semana passada, em
um hospital de Nijmegen, na
região Leste do país. Eles tinham 93 anos e faleceram de mãos dadas.
Dries sempre chamou Eugenie de "minha namorada". A decisão veio após o
casal entender que não era concebível, para eles, viver um sem o outro.
Chefe do governo holandês entre os anos de 1977 e 1982, por
um partido de linha democrata-cristã, Dries
van Agte sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2019 e acabou
ficando com sequelas graves.
Eugenie também estava muito doente.
Por isso, mesmo sendo a fé católica contra a eutanásia, uma vez que o Vaticano considera a prática um crime
contra a vida humana, ela decidiu
acompanhar o marido na decisão de pôr fim ao próprio sofrimento.
Em entrevista à emissora NOS, Gerard Jonkman,
diretor da The Rights Forum, confirmou que o casal estava padecendo, em função
de suas enfermidades, e que eram inseparáveis. “Não podiam viver um sem o outro”, declarou.
A entidade emitiu um comunicado, ressaltando que, após o
derrame, Dries “continuou a lidar com
a questão da Palestina, mas
estava frustrado, porque sua criatividade, concentração e capacidade de
proferir discursos apaixonados tinham sido afetadas”.
Afirmou, ainda, que o
ex-governante retirou-se, gradualmente, da vista do público, “plenamente
consciente de que havia entrado na fase final de sua vida”. A The Rights Forum assim definiu o
ex-primeiro-ministro: “Van Agt era uma
personalidade envolvente e marcante, que usava um idioma caracteristicamente
florido e um tanto arcaico. Ele estava interessado em tudo e em todos.
Normalmente, ele se lembrava dos nomes das pessoas que trabalharam para ele, há
muito tempo. Para nós, Van Agt foi um amigo e uma inspiração”, diz o
documento.
procedimento
é permitido na Holanda – A eutanásia foi legalizada na Holanda em 2002, mas só é
permitida para quem está em estágio avançado de sofrimento, sem possibilidade
de melhora ou alívio e que deseje morrer. A situação clínica precisa ser certificada
por pelo menos dois médicos.
A eutanásia de casal, no entanto, foi registrada pela
primeira vez no ano de 2020. Desde então, 116 parceiros optaram por morrer
juntos. “O interesse pela eutanásia
dupla está crescendo, mas ainda é algo raro. É puro acaso que duas pessoas
estejam sofrendo insuportavelmente, sem perspectiva de alívio, ao mesmo tempo,
e que ambas desejem a eutanásia”, disse Elke Swart, diretor do Expertisecentrum Euthanasie, em entrevista
à agência de notícias Reuters.
A morte assistida também é permitida em outros países, como a
Bélgica, a Alemanha, a França, a
Espanha, Luxemburgo e Portugal. Na Itália, assim como no
Brasil, a prática é ilegal.