Filipe Martins ficou conhecido após gesto supremacista no Senado Federal, em 2021; agora, é suspeito de participação ativa em tentativa de golpe de Estado (Foto: Reprodução/YouTube)
A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta
quinta-feira (8), o ex-assessor de assuntos internacionais do governo Jair
Bolsonaro (PL), Filipe Martins. Investigado no âmbito da Operação
Tempus Veritatis, ele foi detido na casa da namorada, em Ponta Grossa
(PR).
A PF apura o envolvimento de Martins na organização criminosa
que tentou um golpe de Estado e a abolição do Estado Democrático de Direito,
entre 2022 e 2023, com o intuito de manter o ex-presidente no poder, após as
eleições que deram a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A ação policial também atingiu militares e civis que ocuparam
altos cargos no governo Bolsonaro, como os generais Braga Netto e Augusto
Heleno; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; e o ex-assessor especial do
ex-presidente, Marcelo Câmara, que também foi preso nesta quinta-feira. Além
destes, o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto também é alvo da
ação.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou, ainda, por meio de medida cautelar, que o ex-presidente
Jair Bolsonaro entregue seu passaporte em até 24 horas.
DELAÇÃO PREMIADA – Os agentes da PF estão conduzindo Filipe
Martins até Curitiba. De lá, ele será transferido, de avião, ainda hoje, para
Brasília.
A operação Tempus Veritatis é fruto da delação premiada
assinada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair
Bolsonaro, preso no ano passado.
Martins foi citado no depoimento de Cid. O militar contou à
PF que recebeu das mãos do ex-assessor a minuta de decreto golpista convocando
novas eleições, logo após a divulgação do resultado do pleito legítimo.
O investigado ficou conhecido após ser acusado de fazer um
gesto de supremacia branca no plenário do Senado Federal, em março de 2021. Segundo
a revista Forum, o inquérito por crime de racismo cometido pelo bolsonarista
Filipe Martins foi reaberta em novembro de 2023 pelo desembargador Ney Bello.