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Política

Polícia Federal deflagra operação contra ex-ministros de Bolsonaro e presidente do PL

08 de Fevereiro de 2024 | 08h 45
Polícia Federal deflagra operação contra ex-ministros de Bolsonaro e presidente do PL
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (8), a Operação Tempus Veritatis, que investiga uma organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, perpetrada entre 2022 e 2023, com o intuito de obter vantagem de natureza política, a partir da manutenção do então presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

Ao todo, estão sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, além de 48 medidas cautelares, que incluem a proibição de manter contato com outros investigados; o impedimento de se ausentar do país, com entrega dos passaportes no prazo de 24 horas; e a suspensão do exercício de funções públicas.

Entre os alvos, estão o general Walter Souza Braga Netto, militar da reserva do Exército Brasileiro e ex-candidato a vice na chapa de Bolsonaro; o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que ocupou o Gabinete de Segurança Institucional; e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do então presidente.

Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), também está entre os investigados, além de mais dois ex-assessores especiais de Jair Bolsonaro, o coronel Marcelo Câmara e Filipe Martins.

Essa é a primeira operação que a Polícia Federal deflagra a partir das investigações acerca do 8 de Janeiro que tem militares e ex-militares como alvos diretos. O Exército está acompanhando o cumprimento das ordens judiciais, que são frutos da delação premiada de tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

As medidas judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridas nos seguintes estados: Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. O Exército Brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados.

Conforme a corporação, “as apurações apontam que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital”.

A PF detalhou, ainda que “o primeiro eixo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas eleições de 2022, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022”.

Em relação ao segundo eixo de atuação do grupo, a corporação, informou que este consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais em “ambiente politicamente sensível”.

Por fim, a Polícia Federal destacou que os fatos investigados configuram crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.



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