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André Pomponet

O centro da Feira à noite

André Pomponet - 17 de Janeiro de 2024 | 20h 42
O centro da Feira à noite

O centro da Feira de Santana é feio à noite. Mais que isso: é melancólico, deserto, silencioso. Enfim, deprimente. Completamente vazias, as ruas só encontram ânimo nos letreiros luminosos das lojas. Mas é um ânimo estéril, porque quase não há passantes. Assim como nas regiões centrais de boa parte das maiores cidades brasileiras, não mora gente no centro feirense. Só há vida, portanto, até o poente.

Nem mesmo bares abertos se veem pelo centro da cidade à noite. Um ou outro resiste nas cercanias da Praça de Alimentação, na Praça da Matriz, meio vazio. Afinal, logo cedo, no começo da noite, quem peleja pelo centro feirense vai embora, espremendo-se no precário transporte coletivo.

Nas grandes metrópoles há trabalhador que costuma retardar-se, improvisando um happy hour enquanto aguarda condução menos cheia. Por aqui, não: há o impulso de ir embora, o lusco-fusco, o poente esbraseado do verão tangem todo mundo das cercanias do centro comercial. Legado cultural da cidade provinciana, talvez.

Antes da pandemia, havia mais jovens aproveitando a pista de skate na Praça de Alimentação, sobretudo às sextas e sábados. Mas até esse hábito mudou. Nos quisques são mais comuns alguns biriteiros mordendo sanduíches para mitigar a fome. Assediando-os, os pedintes de sempre ou os esporádicos ambulantes com seus produtos made in China.

À medida que a noite avança, restam só os retardatários, a turma que não abdica da saideira. Os boêmios, a turma que aprecia a noite, migrou há tempos para regiões mais badaladas como a rua São Domingos - que já experimenta certo declínio - ou a avenida Fraga Maia, coqueluche do momento. Há sempre quem lamente a decadência do centro feirense, agitado três ou quatro décadas atrás.

O fato é que o centro da Feira de Santana - deserto, silencioso, desabitado - espera por dias melhores. Estes virão? Indagam os saudosistas, com uma ponta de ansiedade. É bom lembrar que a dinâmica urbana - atrelada aos movimentos do mercado imobiliário - costumam ser pendulares. Mais à frente, tudo indica, virá por aí uma maré reversa.

Mas, por enquanto, o centro feirense é triste é desalentador, mesmo nas potencialmente mágicas noites de sábado.



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