Mulheres, crianças e jovens estão entre os segmentos da
população feirense que mais dependem dos repasses do Programa Bolsa Família,
resgatado no começo da atual gestão de Lula (PT). As informações que embasam a
constatação estão disponíveis no site do Ministério de Desenvolvimento e
Assistência Social, Família e Combate à Fome. No relatório sobre a Feira de
Santana, é possível verificar que exatas 74.045 famílias são atendidas pela
iniciativa, que totaliza 194.152 pessoas beneficiadas.
A distribuição entre os sexos é bem desigual: são
beneficiárias 120,7 mil mulheres – ou 61,79% do total – e 74.630 homens, o que
equivale a 38,21%. As mulheres estão, portanto, mais expostas à vulnerabilidade
social até porque em muitas situações assumem, sozinhas, o cuidado de crianças
e adolescentes. Os números acima mostram que a realidade feirense, pelo visto,
converge com o cenário mais amplo, nacional.
Por faixa etária, os números revelam que até os 17 anos há
bastante equilíbrio entre os sexos: os homens são a maioria beneficiada entre
crianças e adolescentes até os 15 anos, mas essa diferença entre os sexos nunca
é superior a 1%.
As mulheres tornam-se maioria consistente na faixa etária dos
18 aos 24 anos – 59,3% a 40,6% - e mantém essa dianteira até o segmento de 60 a
64 anos, quando os percentuais correspondem a 59% e 41%, respectivamente. A
partir dos 65 anos, restabelece-se um equilíbrio relativo: vantagem de 51% a
49% para as mulheres.
O que chama a atenção no segmento a partir dos 65 anos é o
declínio no número de beneficiários, que corresponde só a 0,41% de quem está na
faixa etária. A explicação não é difícil: boa parte de quem tem mais de 65 anos
aposentou-se ou é beneficiária de outros programas de transferência de renda,
dispensando, portanto, o Bolsa Família.
É o oposto de quem está no começo da vida e não dispõe de
alternativas de renda. Entre 7 e 15 anos, por exemplo, mais de 23% das crianças
vive em famílias que demandam o benefício. A realidade feirense replica
inúmeros estudos produzidos ao longo das últimas décadas sobre exposição à
pobreza e à vulnerabilidade social.
Obviamente, os desafios são significativos e o município,
isoladamente, não tem como resolvê-los. Mas iniciativas locais, se bem
planejadas e efetivadas, podem ajudar a mitigar os problemas, reduzindo a
exposição de crianças e mulheres à pobreza.
É o caso, por exemplo, da construção de creches que podem liberar parte da população feminina do cuidado com os filhos, liberando-as para o trabalho remunerado. A questão é muito debatida, mas, por aqui, os avanços são bem tímidos...