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Secretário-geral da ONU diz que Faixa de Gaza está se tornando um ‘cemitério de crianças’

07 de Novembro de 2023 | 11h 23
Secretário-geral da ONU diz que Faixa de Gaza está se tornando um ‘cemitério de crianças’
Foto: Reprodução

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou, nesta segunda-feira (6), que a Faixa de Gaza está “se tornando um cemitério de crianças”. E reafirmou que a proteção de civis “deve ser fundamental” no conflito entre Israel e militantes do Hamas, grupo extremista islâmico que controla o enclave palestino.

A fala de Guterres é uma crítica aberta à postura inflexível do Estado de Israel, que se nega a conceder um cessar-fogo, para a entrada de ajuda humanitária e retirada de civis do epicentro do conflito. “Precisamos agir agora e encontrar uma saída para este beco de destruição brutal, horrível e agonizante”, disse.

No território palestino, o número de mortos não para de subir. Sob bombardeio incessante desde o dia 7 de outubro, logo após o ataque do Hamas a Israel, que vitimou fatalmente 1.405 pessoas, entre nacionais e estrangeiros, a Faixa de Gaza já contabiliza mais de 11 mil mortos. Destes, quase cinco mil são crianças e mais de 2,6 mil são mulheres, segundo o Ministério da Saúde local e diversos organismos internacionais de ajuda humanitária.

Além disso, quase duas mil pessoas encontram-se sob os escombros. Mais da metade delas é menor de idade. “O pesadelo em Gaza é mais do que uma crise humanitária. É uma crise da humanidade”, repudiou o chefe da ONU, durante coletiva de imprensa, em Nova Iorque.

António Guterres salientou que a necessidade de um cessar-fogo está se tornando “mais urgente a cada hora que passa”. Ele lembrou, ainda, que as partes no conflito e a comunidade internacional “enfrentam uma responsabilidade imediata e fundamental: pôr fim a este sofrimento coletivo desumano e expandir dramaticamente a ajuda humanitária a Gaza”.

CATÁSTROFE HUMANITÁRIA – Segundo a CNN Brasil, desde o início do conflito, organizações de ajuda global e grupos de direitos humanos alertaram que a contraofensiva israelense seria catastrófica para Gaza. O enclave, que já vivia isolado do mundo há quase 17 anos, privado de livre circulação de bens e sem concessão do direito de ir e vir aos seus moradores, em função do implacável bloqueio imposto por Israel e pelo Egito, está, agora, agora em situação de grave crise humanitária.

Os 2,3 milhões de habitantes, que já vivenciavam a extrema pobreza, a fome e quase total dependência de ajuda internacional, enfrentam, desde o dia 8 de outubro, um cerco total. Estão sem água, comida, remédios, energia elétrica e combustíveis, além de Israel já ter cortado totalmente a comunicação dos palestinos que lá vivem com o resto do mundo, recentemente, em duas ocasiões, quando intensificaram os bombardeios.

Os hospitais do enclave que ainda não foram alvejados pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) estão na iminência de um colapso total. Médicos alertam que pacientes feridos gravemente, muitos deles bebês, podem falecer, caso as Unidades de Terapia Intensiva deixem de funcionar, por falta de energia e combustível.

Operações de alta complexidade já vêm sendo realizadas sem anestesia e sedativos, por falta de insumos médicos, conforme a Cruz Vermelha, o Médicos sem Fronteiras, o Crescente Vermelho Palestino e outras entidades de ajuda humanitária que atuam na Faixa de Gaza.

A devastação dos ataques de Israel está se tornando cada vez mais aparente. Conforme a CNN, não há informações de quantos combatentes do Hamas estão incluídos no total de mortos. De qualquer forma, a absoluta maioria é composta por civis.

Abrigos lotados e insalubres Além disso, cerca de 1,5 milhão de residentes estão, agora, deslocados. Isto equivale a 70% da população. A maior parte está vivendo em abrigos superlotados, de acordo com Tamara Alrifai, porta-voz da Agência de Assistência e Obras da ONU para Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA).

A UNRWA, diz a CNN, descreveu as condições nos seus abrigos como “desumanas”, por causa da falta de água potável e de saneamento. No Centro de Treinamento de Khan Younis, onde 22 mil pessoas buscaram abrigo, pelo menos 600 indivíduos compartilham um único banheiro, informou a entidade.

Também foram detectados milhares de casos de infecções de pele, diarreia, catapora e outras doenças. As doenças são transmitidas quando pessoas que vivem em ambientes desconfortavelmente próximos, afirmou a UNRWA, ressaltando que os corpos em decomposição sob os destroços também oferecem risco à saúde dos sobreviventes.

Metade da população precisou ser evacuada do Norte da Faixa de Gaza para o Sul, por determinação de Israel. Mas isto não os deixou seguros, porque bombardeios estão sendo registrados em toda a extensão do território, que é menor do que a cidade de Curitiba, em termos de comparação.

CRIMES DE GUERRA – Os implacáveis ataques aéreos israelenses também deixaram milhares de pessoas desabrigas. Inúmeros edifícios residenciais foram completamente arrasados, além de escolas, universidades, templos religiosos e hospitais. Ataques a estas chamadas zonas neutras são proibidas pelas legislações que regem os conflitos bélicos. Em função disso, a ONU e outras entidades governamentais acusam Israel de cometer crimes de guerra e genocídio.

CRIANÇAS GRAVEMENTE FERIDAS – Segundo a CNN, Emily Callahan, enfermeira americana que conseguiu deixar Gaza na semana passada, disse ter visto ferimentos horríveis em Khan Younis e em outros abrigos. “Havia crianças com queimaduras graves no rosto, no pescoço e em todos os membros, e como os hospitais estão tão sobrecarregados, elas receberam alta imediatamente depois”, denunciou.

O Conselho de Segurança da ONU ainda não conseguiu chegar a consenso sobre um projeto de resolução para pôr fim ao conflito. E Israel segue irredutível, com o apoio irrestrito dos Estados Unidos. O vice-embaixador dos EUA na ONU, Robert Wood, declarou que “Israel fará o que sente”.



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