Os governos de Israel e do Egito não divulgam listas autorizando
cidadãos estrangeiros a deixar a Faixa de Gaza há 48 horas. As forças de defesa
israelenses mantêm todo o enclave palestino sob bombardeio incessante, desde o dia
7 de outubro. Mais de dez mil civis já foram mortos no território, dentre eles,
quase cinco mil crianças.
De acordo agência de notícias Reuters, as saídas foram suspensas após Israel atacar um comboio
de ambulâncias que tentava deslocar pacientes feridos. O atentado também matou
médicos e outros profissionais sanitários, segundo o Ministério da Saúde local e
organismos internacionais de ajuda humanitária, como a Cruz Vermelha.
Autoridades egípcias, estadunidenses e do Catar estão
tentando retomar a saída de estrangeiros
e feridos, conforme a Agência Brasil. A última lista foi divulgada
no sábado (4) e continha os nomes de 599 pessoas de quatro nacionalidades.
Trezentos e oitenta e seis tinham passaporte emitido pelos Estados Unidos; 112 pelo
Reino Unido; 51 pela França; e 50 pela Alemanha.
Foi o quarto grupo de estrangeiros ou residentes com dupla
nacionalidade a receber permissão, das autoridades israelenses e egípcias, para
cruzar a Passagem de Rafah, em direção ao país africano. Uma vez mais, os 34 cidadãos
brasileiros que anseiam sair da zona de conflito ficaram de fora.
Na última sexta-feira (3), diz a Agência Brasil, o ministro
das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, voltou a conversar com o
ministro do Exterior de Israel, Eli Cohen. O chanceler brasileiro disse que o ministro israelense garantiu que
os cidadãos brasileiros seriam autorizados a ingressar em solo egípcio até esta
quarta-feira (8).
O grupo espera autorização para deixar a Faixa de Gaza desde
o início da guerra. Eles estão refugiados nas cidades de Rafah e Kahn Yunis, no
Sul do enclave palestino, que também vem sofrendo constantes bombardeios.
De acordo com a Agência Brasil, o brasileiro Hasan Rabee, de
30 anos, informou, nesta segunda-feira (6), que a família se encontra em sérias
dificuldades, porque está cada vez mais difícil achar comida. O pouco alimento que
conseguem é cozido em fogões a lenha.
Rabee também ressaltou que não há água potável disponível para beber. A situação é apontada, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e diversas instituições internacionais, como catastrófica, uma vez que a população está adoecendo, por ser obrigada a matar a sede com água contaminada. “Cada dia é pior que o outro. Água, não tem mineral. Estamos tomando água encanada. Hoje, 31 dias sem energia. O mais difícil, agora, é encontrar alimentação. Além da guerra e do bombardeiro, outro sofrimento é a comida. Muita gente passa fome”, lamentou o brasileiro.