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Mundo

Israel envia palestinos que trabalham no país de volta à Faixa de Gaza

03 de Novembro de 2023 | 12h 41

Risco de morte por bombardeios é iminente e condições de vida no enclave são altamente precárias

Israel envia palestinos que trabalham no país de volta à Faixa de Gaza
Foto: Mohammed Talatene/via Getty Images

Israel enviou milhares de trabalhadores palestinos de volta à Faixa de Gaza, nesta sexta-feira (3). A informação foi divulgada, ontem (2), pelo Gabinete de Segurança de Israel. Sob incessante bombardeio desde o dia 7 de outubro, o enclave registra alto índice de insalubridade. As condições de vida são subumanas, em função do corte total de suprimentos básicos à sobrevivência, como água, comida, energia elétrica, remédios e combustíveis, imposto pelo Estado de Israel. E há risco iminente e constante de morte por explosões.

Segundo a CNN Brasil, cerca de 18 mil habitantes da Faixa de Gaza cumpriam atividades laborais em Israel, mediante autorização do governo, até o início das hostilidades. Por ordem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, as Forças de Defesa israelenses retaliam brutalmente o ataque do grupo extremista islâmico Hamas ao seu território, que deixou 1.405 mortos, entre judeus e estrangeiros.

Os trabalhadores começaram a travessia da fronteira de Kerem Shalom, localizada na conjunção das divisas entre Egito, Faixa de Gaza e Israel, ao longo desta sexta-feira. O Estado de Israel não informou o número exato de palestinos expulsos. “Israel está cortando todos os contatos com Gaza. Não haverá mais trabalhadores palestinos. Os trabalhadores que estavam em Israel no dia da eclosão da guerra serão devolvidos à Faixa de Gaza”, disse, ontem, a assessoria de imprensa do governo.

COLONIALISMO – Além disso, Israel também ameaça acabar com os fundos destinados à Faixa de Gaza, incluindo o financiamento da Autoridade Palestina, que governa, com autonomia limitada, a Cisjordânia. O regime imposto ao território palestino é de caráter colonialista desde 1948, quando da Fundação do Estado de Israel, por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU), após uma série de acordos costurados por Inglaterra e França, que dividiram o Oriente Médio em colônias, mantendo-as sob dominação por longos anos. Com a saída da colonização britânica da Palestina, Israel assumiu o controle, expulsando os povos originários de suas terras, coercitivamente.

Com o passar do tempo, após diversas anexações feitas por Israel, para instalação de colonos judeus, parte dos palestinos acabou empurrada para Faixa de Gaza, hoje considerada, por especialistas e organismos internacionais de ajuda humanitária, uma verdadeira “prisão a céu aberto”, já que o enclave foi amuralhado e cercado por todos os lados, fazendo com que seus habitantes perdessem o direito de ir e vir.

POBREZA EXTREMA – Extremante pequeno, com apenas 360 quilômetros quadrados, o território abriga uma população de 2,3 milhões de pessoas, o que o torna a Faixa de Gaza a localidade com a maior densidade demográfica do planeta. Cerca de 80% da população já vivia, antes do novo conflito, em condições de extrema pobreza e quase totalmente dependente do envio de suprimentos de Israel ou de ajuda humanitária internacional, o que foi vetado totalmente no dia 8 de outubro.

Por causa disso, muitos palestinos saíam do enclave para trabalhar em Israel, mediante prévia permissão e minuciosa inspeção nas fronteiras. Nos últimos anos, Israel passou a emitir um número maior de autorizações de trabalho para os palestinos da Faixa de Gaza. A estratégia de incentivo econômico implementada pelas autoridades israelenses, visava, segundo a CNN, minar o controle do Hamas sobre a população da Faixa de Gaza. Os moradores da Cisjordânia, onde o grupo extremista não atua, também receberam permissões de trabalho. Com isso, puderam ter um salário para a manutenção mínima de suas famílias.

Em entrevista à CNN, no mês passado, o palestino Ismail Abd Almagid disse que a situação econômica em Gaza era precária e que não havia empregos. “Sempre quis esta licença, porque a situação em Gaza é muito grave. A economia é zero. Não há oportunidades de trabalho”, contou.

De acordo com dados divulgados pela ONU, em 2022, os níveis de desemprego no enclave estavam entre os mais elevados do mundo, com quase metade da população sem atividade laboral. “Durante pelo menos a última década e meia, a situação socioeconômica em Gaza tem estado em declínio constante”, afirmou à CNN, em agosto, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA).

SEVERAS RESTRIÇÕES – Há quase 17 anos, o território está quase totalmente isolado do mundo, com severas restrições à circulação de mercadorias e pessoas. Internamente controlado pelo Hamas, desde 2007, a Faixa de Gaza sofre bloqueios tanto por parte de Israel quanto do Egito.

Após o ataque terrorista do Hamas, a situação se agravou sobremaneira, porque as fronteiras do enclave foram completamente fechadas também aos trabalhadores. Muitos ficaram retidos em Israel, até a data de hoje.

CRISE HUMANITÁRIA – Atualmente, a situação no enclave é de grave crise humanitária. Superlotados, por causas da imensa quantidade de feridos pelos bombardeios, os hospitais estão na iminência de parar totalmente, por falta de energia elétrica e combustíveis. Além de também estarem sofrendo ataques aéreos por parte de Israel, assim com escolas, templos e campos de refugiados, áreas consideradas neutras pelas legislações internacionais, não podendo, portanto, ser atingidas.

Segundo organismos humanitários, como o Médicos sem Fronteiras e o Crescente Vermelho Palestino, que atuam no tratamento dos feridos, caso as unidades de saúde deixem de funcionar, milhares de bebês e de pacientes graves internados morrerão.

SEDE E FOME – A população, inclusive 50 mil mulheres grávidas, estão na iminência de sucumbir à fome e à desidratação, por causa do “cerco total” declarado pelo Estado israelense. A pouca água que ainda há no território está contaminada, o que pode culminar em um surto de cólera ou de outras infecções graves.

Por meio de seus incessantes ataques aéreos, as Forças de Defesa de Israel (FDI) já mataram quase dez mil palestinos, metade deles crianças. O Ministério da Saúde palestino em Ramallah também estima que outras 22 mil pessoas estão feridas. O órgão emitiu, na semana passada, uma lista com a identificação de todos os mortos. Há suspeita, ainda, de que quase duas mil pessoas estão sob escombros, sem possibilidade de resgate, sendo a metade crianças.

GENOCÍDIO – Por causa disso, a ONU e diversas organizações humanitárias acusam Israel de prática de genocídio e crimes contra a humanidade. E vêm apelando, insistentemente, em um cessar-fogo, para a entrada de suprimentos emergenciais e a retiradas de civis.

Segundo a CNN, o comissário-Geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, afirmou, na última quarta-feira (1º), depois de voltar de Gaza, que “a escala da tragédia não tem precedentes”. Ele relatou o que viu no enclave. “Os níveis de angústia e as condições de vida insalubres estavam além da compreensão”, disse, relatando que “todo mundo estava apenas pedindo água e comida”.



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