O Brasil fará um novo apelo a Israel, ao Egito e ao Catar,
com vistas a conseguir permissão para a saída dos 34 brasileiros que estão no
Sul da Faixa de Gaza. A pretensão é de que o grupo seja autorizado a cruzar a
passagem de Rafah, divisa egípcia, para imediata repatriação. O Itamaraty e a Presidência
da República negociam com as autoridades locais desde que o atual conflito no
Oriente Médio começou, no dia 7 de outubro.
Nesta terça-feira (1º), a fronteira foi aberta pela primeira
vez, para a saída de estrangeiros e palestinos feridos. Segundo a agência de
notícias CNN, a ausência de brasileiros na lista foi encarada, pelo embaixador
da Palestina no Brasil, como uma questão política.
Isto porque o país, apesar de condenar a ação terrorista do
Hamas, que culminou na morte de 1.405 pessoas, entre israelenses e estrangeiros,
no primeiro sábado de outubro, não endossa a brutal contraofensiva do Estado de
Israel ao enclave palestino.
O incessante bombardeio israelense, que se estende de Norte a
Sul da Faixa de Gaza, já matou quase 10 mil civis, dentre eles mais de 4 mil
crianças. Estima-se que mais de 1.500 pessoas estejam sob os escombros, dentre
elas, mais de mil menores de idade.
À CNN, um representante israelense negou ter vetado
brasileiros. Mas a ausência de nacionais na primeira lista de pessoas
autorizadas a cruzar a passagem de Rafah mobilizou o Governo do Brasil a reiniciar
a articulação para tentar incluir seus cidadãos nos primeiros grupos que
deixarão a Faixa de Gaza.
Segundo a CNN, o Brasil informou que irá reforçar o contato
via Itamaraty e Presidência da República. Depois de participar da reunião do
Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro das
Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, volta ao país, nesta quarta-feira.
O órgão enfatizou que os apelos serão refeitos com as
autoridades de Israel, Egito e Catar, que ajudou a articular a saída de feridos
e dos primeiros estrangeiros do enclave. O Itamaraty também não descarta a
possibilidade de fazer contato com o Hamas, pela repatriação dos brasileiros.
Em entrevista à CNN, o embaixador da Palestina no Brasil,
Ibrahim Alzeben, atribuiu a responsabilidade ao Estado de Israel. “Não há
brasileiros, assim como de outras nacionalidades, por questões políticas, não é
por logística. Israel não autorizou”, acusou.
A embaixada de Israel no Brasil rebateu. “Infelizmente, não é
o governo de Israel que decide quem entra ou não nessas listas, mas as
entidades internacionais”, justificou o porta-voz do país.
Os primeiros estrangeiros a percorrer a rota de fuga até a
passagem de Rafah são oriundos da Austrália, Áustria, Bulgária, Finlândia, Indonésia,
Jordânia, Japão e República Tcheca.