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Presidente do Irã afirma que Israel ultrapassou ‘as linhas vermelhas’, em Gaza; Turquia também se manifesta a favor dos palestinos

30 de Outubro de 2023 | 11h 28
Presidente do Irã afirma que Israel ultrapassou ‘as linhas vermelhas’, em Gaza; Turquia também se manifesta a favor dos palestinos
Foto: Reprodução

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, declarou, neste domingo (29), que o Estado de Israel “ultrapassou as linhas vermelhas” na Faixa de Gaza e insinuou que o massacre da população que reside no enclave palestino “pode forçar todos a agir”.

O iraniano chamou de criminosa a ofensiva israelense, que já matou mais de 8 mil civis palestinos, dentre eles, mais de 3 mil crianças e mais de 2 mil mulheres. Organismos internacionais de ajuda humanitária, como o Médicos Sem Fronteiras e o Crescente vermelho Palestino, estimam que também haja cerca de 1.500 pessoas sobre os escombros, sem possibilidade de resgate com vida. Mais de mil delas seriam crianças, o que elevaria o número de menores mortos a mais de 4 mil.

Por meio das redes sociais, Raisi disse que “os crimes do regime sionista ultrapassaram as linhas vermelhas, o que pode forçar todos a agir”. E acusou os Estados Unidos de apoio irrestrito ao genocídio palestino. “Washington pede para não fazermos nada, mas eles continuam a apoiar generalizadamente Israel”, escreveu, salientando que “os EUA enviaram mensagens ao Eixo da Resistência, mas receberam uma resposta clara no campo de batalha”.

EXPANSÃO DO CONFLITO – Segundo a CNN, a intensificação dos ataques militares de Israel preocupa, porque pode levar a mais frentes da guerra e, consequentemente, à regionalização do conflito. O Irã é aliado do Hamas, que atua na Faixa de Gaza, e também do Hezbollah, grupo radical islâmico sediado no Líbano.

O Hezbollah se envolveu em trocas de tiros com soldados israelenses, desde que o novo conflito teve início, no dia 7 de outubro. O Exército de Israel disparou artilharia pesada em um grupo de jornalistas identificados, que estava dentro do território libanês, no dia 13 de outubro. Na ocasião, Issam Abdallah, cinegrafista da agência de notícias Reuters, morreu. Outros seis profissionais de imprensa, dentre eles, uma correspondente da Agence France Presse e contratados da Al Jazeera, ficaram feridos. Os radicais libaneses revidaram o ataque.

Conforme a CNN, especialistas afirmam que, embora o Irã receie ser arrastado para a guerra entre Israel e o Hamas, pode não conseguir controlar a situação, caso grupos extremistas resolvam entrar na batalha de forma independente.

Após o Hamas invadir o Sul de Israel e matar 1.405 pessoas de diversas nacionalidades, mas majoritariamente judeus, o que levou à violenta contraofensiva israelense, o Irã elogiou a operação dos rebeldes palestinos, mas negou, de forma veemente, estar envolvido no atentado terrorista.

De acordo com a CNN, a inteligência dos Estados Unidos sugeriu, inicialmente, que as autoridades iranianas ficaram surpresas com o ataque do Hamas e que Teerã, centro do poder iraniano, não estava diretamente envolvido no seu planejamento, recursos ou aprovação.

LUTA CONTRA COLONIALISMO – Para muitos outros países da região, o Hamas não é um grupo terrorista, e sim uma organização militar que luta contra a política colonialista israelense imposta aos palestinos desde 1948, data da fundação do Estado de Israel, pela ONU.

Neste sábado (28), durante um protesto pró-Palestina realizado em Istambul, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reiterou que a milícia que controla a Faixa de Gaza é, na verdade, “um grupo de lutadores pela libertação”.

Erdogan voltou a criticar Israel e seus apoiadores ocidentais. "O Ocidente é o responsável pelos massacres em Gaza. Israel é apenas um peão que seria sacrificado quando quiserem e não sobrevive nem três dias sem apoio ocidental", apontou.

O chefe de Estado turco lamentou a morte de inocentes na Faixa de Gaza e insinuou que o Ocidente fecha os olhos para o massacre de crianças palestinas. "Aqueles que derramaram lágrimas de crocodilo pelos civis mortos, ontem, na Guerra da Ucrânia não fazem nada pelas crianças que morreram, hoje, em Gaza", disparou.

No dia 25 de outubro, durante discurso no Parlamento, em Ancara, capital turca, Recep Erdogan declarou que a Turquia não tem qualquer tipo de dívida com Israel. "Todo o Ocidente considera o Hamas uma organização terrorista. Daqui, eu digo: Israel, você pode ser uma, o Ocidente tem muitas dívidas com você. Mas a Turquia não tem. O Hamas não é uma organização terrorista, é um grupo de lutadores pela libertação, que luta para proteger sua terra e seus cidadãos”, afirmou.



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