O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, declarou, neste domingo
(29), que o Estado de Israel “ultrapassou as linhas vermelhas” na Faixa de Gaza
e insinuou que o massacre da população que reside no enclave palestino “pode
forçar todos a agir”.
O iraniano chamou de criminosa a ofensiva israelense, que já
matou mais de 8 mil civis palestinos, dentre eles, mais de 3 mil crianças e
mais de 2 mil mulheres. Organismos internacionais de ajuda humanitária, como o
Médicos Sem Fronteiras e o Crescente vermelho Palestino, estimam que também haja
cerca de 1.500 pessoas sobre os escombros, sem possibilidade de resgate com
vida. Mais de mil delas seriam crianças, o que elevaria o número de menores
mortos a mais de 4 mil.
Por meio das redes sociais, Raisi disse que “os crimes do
regime sionista ultrapassaram as linhas vermelhas, o que pode forçar todos a
agir”. E acusou os Estados Unidos de apoio irrestrito ao genocídio palestino. “Washington
pede para não fazermos nada, mas eles continuam a apoiar generalizadamente
Israel”, escreveu, salientando que “os EUA enviaram mensagens ao Eixo da
Resistência, mas receberam uma resposta clara no campo de batalha”.
EXPANSÃO DO CONFLITO – Segundo a CNN, a intensificação dos
ataques militares de Israel preocupa, porque pode levar a mais frentes da
guerra e, consequentemente, à regionalização do conflito. O Irã é aliado do
Hamas, que atua na Faixa de Gaza, e também do Hezbollah, grupo radical islâmico
sediado no Líbano.
O Hezbollah se envolveu em trocas de tiros com soldados
israelenses, desde que o novo conflito teve início, no dia 7 de outubro. O
Exército de Israel
disparou artilharia pesada em um grupo de jornalistas identificados, que estava
dentro do território libanês, no dia 13 de outubro. Na ocasião, Issam
Abdallah, cinegrafista da agência de notícias Reuters, morreu. Outros seis profissionais
de imprensa, dentre eles, uma correspondente da Agence France Presse e
contratados da Al Jazeera, ficaram feridos. Os radicais libaneses revidaram o ataque.
Conforme a CNN, especialistas afirmam que, embora o Irã receie
ser arrastado para a guerra entre Israel e o Hamas, pode não conseguir
controlar a situação, caso grupos extremistas resolvam entrar na batalha de
forma independente.
Após o Hamas invadir o Sul de Israel e matar 1.405 pessoas de
diversas nacionalidades, mas majoritariamente judeus, o que levou à violenta
contraofensiva israelense, o Irã elogiou a operação dos rebeldes palestinos,
mas negou, de forma veemente, estar envolvido no atentado terrorista.
De acordo com a CNN, a inteligência dos Estados Unidos sugeriu,
inicialmente, que as autoridades iranianas ficaram surpresas com o ataque do
Hamas e que Teerã, centro do poder iraniano, não estava diretamente envolvido
no seu planejamento, recursos ou aprovação.
LUTA CONTRA
COLONIALISMO – Para
muitos outros países da região, o Hamas não é um grupo terrorista, e sim uma
organização militar que luta
contra a política colonialista israelense imposta aos palestinos desde 1948,
data da fundação do Estado de Israel, pela ONU.
Neste sábado (28), durante um protesto pró-Palestina realizado
em Istambul, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reiterou que a
milícia que controla a Faixa de Gaza é, na verdade, “um grupo de lutadores pela
libertação”.
Erdogan voltou a criticar Israel e seus apoiadores ocidentais.
"O Ocidente é o responsável pelos massacres em Gaza. Israel é apenas um
peão que seria sacrificado quando quiserem e não sobrevive nem três dias sem
apoio ocidental", apontou.
O chefe de Estado turco lamentou a morte de inocentes na
Faixa de Gaza e insinuou que o Ocidente fecha os olhos para o massacre de
crianças palestinas. "Aqueles que derramaram lágrimas de crocodilo pelos
civis mortos, ontem, na Guerra da Ucrânia não fazem nada pelas crianças que
morreram, hoje, em Gaza", disparou.
No dia 25 de outubro, durante discurso no Parlamento, em
Ancara, capital turca, Recep Erdogan declarou que a Turquia não tem qualquer tipo
de dívida com Israel. "Todo o Ocidente considera o Hamas uma organização
terrorista. Daqui, eu digo: Israel, você pode ser uma, o Ocidente tem muitas
dívidas com você. Mas a Turquia não tem. O Hamas não é uma organização
terrorista, é um grupo de lutadores pela libertação, que luta para proteger sua
terra e seus cidadãos”, afirmou.