Robert Card, suspeito de abrir fogo contra um bar e uma pista
de boliche, na última quarta-feira (25), na cidade de Lewiston, estado
norte-americano de Maine, foi encontrado morto, nesta sexta-feira (27), em uma floresta
nas cercanias de Lisbon, cidade localizada a 13 quilômetros do local do crime.
O ataque resultou na morte de pelo menos 18 pessoas. Outras
13 ficaram feridas, segundo declaração de Janet Mills, governadora local, nesta
quinta-feira (26).
Durante as buscas, as autoridades orientaram as populações de
Androscoggin e dos condados do Norte de Sagadahoc, que abrangem Lewiston e as
comunidades vizinhas de Auburn e Lisbon, a permanecerem reclusas, em função do
alto grau de periculosidade do assassino. Instituições de ensino e empresas
foram fechadas. As medidas foram suspensas ontem.
De acordo com a CNN, o caso foi reconhecido como o tiroteio
em massa mais mortífero dos Estados Unidos desde o massacre ocorrido em uma
escola do ensino fundamental situada na cidade Uvalde, Texas, em maio de 2022.
Na ocasião, 19 crianças e duas professoras foram assassinadas por um homem de
18 anos.
O atentado de Maine, diz a CNN, se soma a um histórico
sombrio de 565 incidentes dessa natureza, em que quatro ou mais pessoas foram
baleadas, excluindo o atirador, em todo o país, em 2023, segundo dados do
Arquivo de Violência Armada.
O crime – No início da noite de quarta-feira, por volta das 18h56
do horário local (19h56 no horário de Brasília), Robert Card começou a disparar
a esmo, contra diversas pessoas que estavam na pista de boliche de um
restaurante local.
Cerca de 12 minutos depois, a polícia foi novamente acionada
para atender a ocorrência de novos disparos, desta vez, em um bar situado do
outro lado da cidade. Segundo o coronel William Ross, sete pessoas morreram no
boliche; oito, no bar; e outras três, em hospitais da região.
Conforme a CNN, na quinta-feira, investigadores da polícia
local executaram um mandado de busca na casa de Card. O objetivo era apreender computadores,
anotações, armas e qualquer evidência que pudesse indicar um plano para
execução do crime. Pouco tempo depois, o carro do suspeito foi encontrado, em
situação de abandono, em Lisbon.
Robert Card era instrutor certificado de armas de fogo. Autoridades
policiais do Maine informaram à CNN que o acusado também integrava a Reserva do
Exército norte-americano.
O armamento utilizado por Card para executar o massacre, segundo
os investigadores, teria sido comprado legalmente, poucos dias antes de ele ser
hospitalizado e submetido a uma avaliação psiquiátrica.
Em julho desse ano, diz a CNN, a Polícia do Estado de Nova
York foi chamada a Camp Smith, em Cortlandt, base militar onde Card serviu.
Isto por ele estar agindo “de forma agressiva” e parecer “embriagado”.
Três fontes ligadas à corporação teriam dito à CNN que a polícia
nova-iorquina levou o suspeito para um hospital próximo, onde o mesmo teria recebido
tratamento para intoxicação e liberado, no dia seguinte. A informação não foi
confirmada pelo porta-voz da Polícia de Nova York, que alegou se tratar de “uma
investigação ativa”, destacando que a corporação “não comenta” inquéritos “em
curso”.
Ainda conforme a agência de notícias, um jurista federal teria
dito que o Exército deu a Robert Card uma “referência de comando” para procurar
tratamento, após ele informar aos militares do batalhão de Camp Smith que
estava “ouvindo vozes” e tendo pensamentos homicidas, que o instavam a “ferir
outros soldados”.
Um porta-voz da Guarda Nacional teria confirmado à CNN que Card havia sido transportado
para o Hospital Comunitário do Exército Keller, na Academia Militar dos Estados
Unidos, para “avaliação médica”, após oficiais da Reserva do Exército o
denunciarem por “comportamento irregular”.
Fontes policiais ressaltaram que os encontros do suspeito com
a Polícia de Nova York e com seus superiores da Guarda Nacional ocorreram dez
dias após ele comprar o fuzil usado no crime, em uma loja de armas do Maine.
A arma, de acordo com a CNN, era um Ruger SFAR, com câmara
para munição .308 de alta potência, preferida por caçadores e, também, por atiradores
militares que disparam a longas distâncias. Esta seria maior e mais poderosa do
que a munição normal transportada, por exemplo, nos rifles dos soldados e das
equipes da Special Weapons and Tactics (SWAT).
A arma encontrada dentro do carro de Card, um Subaru Outback
branco 2013, parece ser a mesma usada pelo atirador na pista de boliche e no
restaurante. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente. Segundo
a CNN, o FBI está periciando o armamento, a fim de encontrar impressões
digitais e DNA. Depois, o artefato deverá passar por testes de laboratório, que
determinarão se as munições e cartuchos encontrados no local do crime são, de
fato, dele.
Junto com o rifle, Robert Card também teria comprado uma
pistola semiautomática Beretta 92-F 9mm. A arma, diz a CNN, costuma ser usada
por militares norte-americanos.