O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) rejeitou, na
tarde desta quarta-feira (25), uma proposta de resolução elaborada pelos
Estados Unidos acerca do conflito entre o Estado de Israel e o grupo islâmico
Hamas, que controla a Faixa de Gaza.
De acordo com a Agência Brasil, a proposta foi aceita por dez
países, mas acabou rejeitada pela Rússia e pela China. Ambos os países são membros
permanentes da entidade, tendo, por isso, poder de veto.
O Brasil,
que, no dia 18 de outubro, teve sua proposta rejeitada pelos EUA, mesmo
após longa negociação e inclusão de sugestões de outros países, decidiu pelo
direito de se abster.![]()
Esta é a terceira proposta de resolução rejeitada no Conselho
de Segurança da ONU. A primeira
foi apresentada pela Rússia, no dia 16, porém sem consulta a outros
países na construção do texto.
Ontem (25), segundo a Agência Brasil, a embaixadora dos
Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, declarou ter incorporado vários
elementos da resolução apresentada pelo Brasil na semana passada, a mesma
resolução rejeitada pelos Estados Unidos. O texto também exigia uma pausa
humanitária para permitir que a ajuda chegasse à população na Faixa de Gaza.
Contudo, um trecho que assegura o direito de Israel de
revidar os ataques terroristas sofridos no dia 7 de outubro foi inserido, pelo
país norte-americano. Linda Thomas-Greenfield se disse desapontada com o
resultado, após a proposta de seu país ser rejeitada. Segundo ela, os Estados
Unidos ouviram a todos na construção do texto.
Rússia apresenta nova proposta – A Rússia apresentou uma nova proposta de resolução, em
seguida. O texto, entretanto, foi rejeitado pelos Estados Unidos e pelo Reino
Unido, ambos com poder de veto. Nove países decidiram pela abstenção, entre
eles, o Brasil.
Barbara Woodward, representante do Reino Unido, disse que a
proposta da Rússia não poderia ser aceita por não garantir o direito de Israel
se defender das agressões sofridas. E destacou que, uma vez mais, não houve
qualquer consulta do representante da Rússia aos demais membros da entidade.
Conforme a Agência Brasil, o Conselho de Segurança da ONU é
formado por cinco membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e
Estados Unidos. Integram o conselho rotativo a Albânia, o Brasil, Equador,
Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique, Suíça e os Emirados Árabes.
Sendo assim, para que uma resolução seja aprovada, é necessário
o apoio de nove do total de 15 membros. Mas nenhum dos membros permanentes pode
vetar o texto. Já na Assembleia Geral da ONU não existe esse mecanismo.
CAOS TOTAL – Segundo autoridades de saúde
palestinas e organismos internacionais políticos e de ajuda humanitária, desde o
início do conflito até esta quarta-feira (25), 7.028 civis palestinos já
morreram, todos vítimas do incessante bombardeio israelense à Faixa de Gaza.
Dentre os mortos, estão mais de 2,7 mil crianças e mais de
1,6 mil mulheres. O total de feridos chega a 17.439. Outras 1,5 mil pessoas
estão desaparecidas sob escombros. A população também está privada de água,
comida, energia elétrica, combustíveis e insumos médicos, há 19 dias.
A situação, segundo a ONU, que acusa
o Estado de Israel de cometer crimes contra a humanidade e genocídio contra
o povo palestino, é de grave crise humanitária. O enclave está à beira do caos
total. O bloqueio israelense está a ponto de culminar na inoperância geral dos
hospitais locais, o que pode levar à morte centenas de bebês e civis internados
em estado crítico.
Na Cisjordânia, território palestino vizinho, que é ocupado militarmente
por Israel e também está sob ataque, o número de mortos chega a 103 e há 1.836 pessoas
feridas. Governada pela Autoridade Palestina, a Cisjordânia não tem registros
da atuação de membros do Hamas.