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Reputação da ONU depende de ação efetiva sobre guerra no Oriente Médio, diz Mauro Vieira

25 de Outubro de 2023 | 11h 00
Reputação da ONU depende de ação efetiva sobre guerra no Oriente Médio, diz Mauro Vieira
Foto: Reuters/Brendan McDermid

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, destacou, nesta terça-feira (24), durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Estados Unidos, que “grande parte da reputação das Nações Unidas depende da sua abordagem à crise em curso”.

Segundo a Agência Brasil, no encontro que discutiu a escalada do conflito entre o Estado de Israel e a milícia islâmica extremista denominada Hamas, no Oriente Médio, o chanceler enfatizou, também, que a entidade poderá ser “julgada”, pelas futuras gerações, por omissão. “Este Conselho deve estar à altura do desafio que temos pela frente. Provavelmente, seremos julgados – e considerados culpados – pelas gerações futuras, pela nossa inação e complacência”, criticou.

Isto porque, iniciado no último dia 7 de outubro, após um ataque do Hamas ao território israelense, que custou a vida de 1.405 pessoas de várias nacionalidades, mas, principalmente, judeus, Israel, em resposta, bombardeia a Faixa de Gaza incessantemente. A contraofensiva já causou a morte de quase 6 mil palestinos, dentre eles, mais de 2 mil crianças, segundo as autoridades de saúde locais e os organismos internacionais de ajuda humanitária.

A ONU acusa, publicamente, o Estado de Israel de genocídio e aponta uma série de crimes contra a humanidade, por ações que ferem as legislações internacionais que balizam os conflitos bélicos, dentre elas, o ataque contumaz e deliberado a zonas neutras, como hospitais, templos e escolas; e o cerco total, que está privando a população de serviços essenciais à vida, como o fornecimento de água, combustíveis, energia elétrica, suprimentos médicos e comida. Os hospitais situados no enclave palestino estão em colapso e à beira do caos total, por falta de energia para manter vivos pacientes graves, grande parte bebês e crianças pequenas.

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU é presidido pelo Brasil. Na semana passada, o país viu, no entanto, a proposta de apaziguamento do conflito, que incluía a criação de corredores humanitários para socorrer civis, costurada pelo seu corpo diplomático ser vetada pelos Estados Unidos, mesmo outros 11 países tendo endossado a proposição do Brasil. Apenas a Rússia e a Inglaterra se abstiveram.

Ontem, em seu discurso, o chanceler brasileiro insistiu que a diplomacia e o diálogo são os ativos mais poderosos na entidade, que, segundo ele, “tem uma responsabilidade crucial na resposta imediata à evolução das crises humanitária e de reféns”.

Mauro Vieira lembrou, ainda, que, desde 2016, o Conselho de Segurança não consegue aprovar uma resolução sobre a situação do conflito entre israelenses e palestinos, que remonta, sobretudo, ao fim da década de 1940, período em que o Estado de Israel foi criado, pela ONU, e que foi se agravando, ao longo desses 75 anos, em função do movimento colonizatório israelense sobre territórios árabes. “Estratégias obstrutivas têm impedido a tomada de decisões cruciais sobre a paz e a segurança internacionais. Como resultado, a situação no Oriente Médio é, de longe, uma das questões mais frustradas no Conselho de Segurança”, lamentou.

Conforme a Agência Brasil, o representante do governo brasileiro também reforçou que o Brasil condena, de forma veemente, os atos terroristas protagonizados por membros do Hamas contra civis em Israel. E apelou pela libertação imediata e incondicional dos reféns civis que ainda se encontram em poder dos extremistas.

Ao mesmo tempo, o chanceler criticou, duramente, a escalada da violência na Faixa de Gaza, perpetrada pelo Estado de Israel. Para Mauro Vieira, é inaceitável o bombardeio de infraestruturas civis, que resultou na destruição de 42% das habitações situadas no enclave. “Não podemos tolerar a perda de mais de 2 mil crianças palestinas. Como potência ocupante, Israel tem a obrigação legal e moral de proteger a população local ao abrigo do direito humanitário internacional. Os recentes acontecimentos em Gaza são, particularmente, preocupantes, incluindo a chamada ‘ordem de evacuação’, que está conduzindo a níveis de miséria sem precedentes para pessoas inocentes”, apontou.  

O ministro pediu a adesão estrita ao direito internacional. E defendeu a coexistência de dois Estados na região, um palestino e outro israelense, como pretendia a ONU na década de 1940, ambos autônomos e soberanos, como solução do conflito.

O chanceler brasileiro também enfatizou que a manutenção da ocupação da Cisjordânia é ilegal. Para ele, tal fato mina as perspectivas de paz. “Israel deve parar todas as atividades de colonização nos territórios palestinos ocupados, incluindo Jerusalém Oriental. A diferença de tratamento em relação aos colonos e aos habitantes locais é inaceitável. A expansão atual e projetada praticamente elimina a viabilidade de um futuro Estado palestiniano e gera violência e ódio”, observou.



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