O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
criticou, nesta terça-feira (24), a reação desmedida de Israel ao ataque sofrido
no dia 7 de outubro, quando membros do Hamas, grupo radical islâmico fixado na
Faixa de Gaza, invadiram o território israelense, matando cerca de 1405 civis.
Isto porque a contraofensiva de Israel vem provocando a morte
de milhares de civis palestinos, uma vez que o enclave sofre incessantes
bombardeios, além de um bloqueio de suprimentos e insumos básicos, desde que o
conflito começou. Mais de 5 mil palestinos já morreram, dentre eles mais de 2
mil crianças, segundo a autoridade de saúde local e organismos internacionais.
Para Lula, “não é porque o Hamas cometeu um ato terrorista
contra Israel que esse país tem que matar milhões de inocentes”. A afirmação
foi feita durante o programa semanal Conversa com o Presidente,
transmitido pelo Canal Gov.
Segundo a Agência Brasil, o presidente brasileiro disse ter
conversado com líderes de diversos países, incluindo Israel, Autoridade
Palestina, Egito, Irã, Turquia, França, Rússia e Emirados Árabes, com o
objetivo de mediar uma solução para o conflito. Segundo ele, ainda estão
previstas conversar com líderes da China, da África do Sul e do Catar. “Estou
falando com todo mundo, para que a gente consiga três coisas: primeiro,
garantir o corredor humanitário, para que as pessoas possam receber água,
comida, remédio; garantir que não falte energia elétrica nos hospitais, para
que as pessoas possam ser tratadas; e garantir que não se mate mais crianças”,
explicou.
Conforme Lula, o sacrifício de inocentes precisa ser evitado.
“Não tem exemplo, na humanidade, de guerra em que quem morre mais é criança,
que não está na guerra. E crianças dos dois lados, quando não queremos que
morra ninguém”, defendeu.
O chefe de Estado ressaltou, ainda, que não vê a guerra como
saída possível de um conflito. “Se você não falar em paz todo dia, todo dia,
todo dia, as pessoas esquecem que é possível construir a paz. Quando vejo
autoridades falarem em guerra, fulano tem que matar cicrano, tem que derrotar,
não é assim que a gente resolve o problema. Numa mesa de negociação, não morre
ninguém”, observou.
Além disso, para o mandatário brasileiro, a paz “custa mais
barato” e é possível encontrar uma solução. “É preciso que a gente consiga que
lá, no Oriente Médio, Israel fique com o território que é seu e que está
demarcado pela Organização das Nações Unidas. E que os palestinos tenham o
direito a ter a sua terra. É simples assim. E não precisa ninguém ficar
invadindo a terra de ninguém”, propôs.
Brasileiros em meio ao conflito
– Sobre os brasileiros que estão
retidos na Faixa de Gaza – entre eles mulheres e crianças –, aguardando
autorização para cruzarem a fronteira do Egito, para fins de repatriação, Lula
disse que o corpo diplomático do Brasil segue acompanhando o caso e que ele
próprio tem negociado com o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi.
“Já falei com o presidente do Egito. Meu ministro já falou com o ministro das
Relações Exteriores. O avião presidencial menor já está no Cairo, à espera
dessa gente. Assim que abrir a fronteira, vamos buscar os brasileiros e trazer
pra cá, porque é aqui o lugar deles, um país seguro, que não tem guerra. E a
gente pretende dar a eles a cidadania que não conseguiram conquistar morando na
Faixa de Gaza, com a truculência e com os bombardeios”, disparou.
Críticas à ONU – Segundo a Agência Brasil, o
presidente brasileiro também criticou a atuação da ONU perante o conflito. “Todo dia, a gente vê Israel invadir
a terra dos palestinos e a ONU não faz nada, porque está enfraquecida. Esse é o
meu papel, de tentar criar as condições para que a gente possa voltar a sentar
à mesa de negociação. Ainda ontem, falei com Putin sobre a guerra da
Ucrânia e sobre a guerra do Oriente Médio. É preciso que as pessoas parem”,
disse o presidente, mencionando uma conversa com o presidente da Rússia, que
declarou guerra à Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022.