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Ação do Hamas não justifica matança de inocentes palestinos por Israel, diz Lula

24 de Outubro de 2023 | 12h 08
Ação do Hamas não justifica matança de inocentes palestinos por Israel, diz Lula
Foto: Reprodução/Canal Gov

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou, nesta terça-feira (24), a reação desmedida de Israel ao ataque sofrido no dia 7 de outubro, quando membros do Hamas, grupo radical islâmico fixado na Faixa de Gaza, invadiram o território israelense, matando cerca de 1405 civis.

Isto porque a contraofensiva de Israel vem provocando a morte de milhares de civis palestinos, uma vez que o enclave sofre incessantes bombardeios, além de um bloqueio de suprimentos e insumos básicos, desde que o conflito começou. Mais de 5 mil palestinos já morreram, dentre eles mais de 2 mil crianças, segundo a autoridade de saúde local e organismos internacionais.

Para Lula, “não é porque o Hamas cometeu um ato terrorista contra Israel que esse país tem que matar milhões de inocentes”. A afirmação foi feita durante o programa semanal Conversa com o Presidente, transmitido pelo Canal Gov.

Segundo a Agência Brasil, o presidente brasileiro disse ter conversado com líderes de diversos países, incluindo Israel, Autoridade Palestina, Egito, Irã, Turquia, França, Rússia e Emirados Árabes, com o objetivo de mediar uma solução para o conflito. Segundo ele, ainda estão previstas conversar com líderes da China, da África do Sul e do Catar. “Estou falando com todo mundo, para que a gente consiga três coisas: primeiro, garantir o corredor humanitário, para que as pessoas possam receber água, comida, remédio; garantir que não falte energia elétrica nos hospitais, para que as pessoas possam ser tratadas; e garantir que não se mate mais crianças”, explicou.

Conforme Lula, o sacrifício de inocentes precisa ser evitado. “Não tem exemplo, na humanidade, de guerra em que quem morre mais é criança, que não está na guerra. E crianças dos dois lados, quando não queremos que morra ninguém”, defendeu.

O chefe de Estado ressaltou, ainda, que não vê a guerra como saída possível de um conflito. “Se você não falar em paz todo dia, todo dia, todo dia, as pessoas esquecem que é possível construir a paz. Quando vejo autoridades falarem em guerra, fulano tem que matar cicrano, tem que derrotar, não é assim que a gente resolve o problema. Numa mesa de negociação, não morre ninguém”, observou.

Além disso, para o mandatário brasileiro, a paz “custa mais barato” e é possível encontrar uma solução. “É preciso que a gente consiga que lá, no Oriente Médio, Israel fique com o território que é seu e que está demarcado pela Organização das Nações Unidas. E que os palestinos tenham o direito a ter a sua terra. É simples assim. E não precisa ninguém ficar invadindo a terra de ninguém”, propôs. 

Brasileiros em meio ao conflito – Sobre os brasileiros que estão retidos na Faixa de Gaza – entre eles mulheres e crianças –, aguardando autorização para cruzarem a fronteira do Egito, para fins de repatriação, Lula disse que o corpo diplomático do Brasil segue acompanhando o caso e que ele próprio tem negociado com o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi. “Já falei com o presidente do Egito. Meu ministro já falou com o ministro das Relações Exteriores. O avião presidencial menor já está no Cairo, à espera dessa gente. Assim que abrir a fronteira, vamos buscar os brasileiros e trazer pra cá, porque é aqui o lugar deles, um país seguro, que não tem guerra. E a gente pretende dar a eles a cidadania que não conseguiram conquistar morando na Faixa de Gaza, com a truculência e com os bombardeios”, disparou. 

Críticas à ONU – Segundo a Agência Brasil, o presidente brasileiro também criticou a atuação da ONU perante o conflito. “Todo dia, a gente vê Israel invadir a terra dos palestinos e a ONU não faz nada, porque está enfraquecida. Esse é o meu papel, de tentar criar as condições para que a gente possa voltar a sentar à mesa de negociação. Ainda ontem, falei com Putin sobre a guerra da Ucrânia e sobre a guerra do Oriente Médio. É preciso que as pessoas parem”, disse o presidente, mencionando uma conversa com o presidente da Rússia, que declarou guerra à Ucrânia no dia 24 de fevereiro de 2022.

No entendimento de Lula, se a Organização das Nações Unidas “tivesse força”, poderia exercer uma maior interferência no conflito.


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