Os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações
Unidas (ONU) votaram, na manhã desta quarta-feira (18), a resolução do Brasil
para solucionar o conflito entre Israel o Hamas, na Faixa de Gaza. Embora a
maioria dos países tenha sido favorável, a proposta não foi aprovada.
Os Estados Unidos, único voto contrário, usaram seu poder de
veto para impedir o acolhimento da medida, que foi aceita pela Albânia, China,
Equador, França, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique, Suíça e Emirados Árabes.
Rússia e Reino Unido optaram por se abster.
A resolução elaborada pelo Brasil pedia a abertura de
corredores humanitários no enclave palestino, bombardeado por Israel desde 7 de
outubro. O país também ordenou um cerco total ao território, privando os 2,3
milhão de habitantes de água, comida, remédios, combustíveis e energia elétrica.
De acordo com Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos
Estados Unidos na ONU, o país norte-americano teria ficado "desapontado"
com o fato de a proposta não mencionar o direito de autodefesa de Israel. Os Estados
Unidos têm um longo histórico de apoio irrestrito ao Estado comandado por
Benjamin Netanyahu.
Desde que o conflito começou, o Brasil tenta costurar um
acordo voltado à proteção dos civis que padecem em meio ao enfrentamento entre
Israel e o Hamas, grupo terrorista que controla o enclave.
Está expresso no documento que o Brasil condena a ação dos
radicais islâmicos, que invadiram o território israelense e atacaram civis
brutalmente. No texto, o Brasil pede ao Hamas a "libertação imediata e
incondicional de todos os reféns civis, exigindo a sua segurança, bem-estar e
tratamento humano, em conformidade com o direito internacional".
Além disso, solicitava a imediata revogação da ordem de
evacuação do Norte da Faixa de Gaza, dada por Israel na quinta-feira (13), e
pedia a criação de pausas humanitárias, a fim de que fosse garantido acesso seguro
e "ininterrupto" de ajuda humanitária.
O documento também enfatizava a urgente necessidade de fornecimento
dos serviços e suprimentos essenciais à vida. Segundo a Agência das Nações
Unidas de Assistência e Trabalho para Refugiados da Palestina no Oriente Médio
(UNRWA), o bloqueio total importo por Israel agravou a crise humanitária na
Faixa de Gaza. "As pessoas em Gaza têm acesso severamente limitado à água
potável. Como último recurso, elas estão consumindo água salobra proveniente de
poços agrícolas, o que suscita sérias preocupações quanto à propagação de
doenças transmitidas pela água", disse a entidade.