O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, afirmou, neste domingo
(15), que a reação de Israel ao ataque terrorista do Hamas excedeu o direito à
autodefesa, transformando-se em "punição coletiva".
A declaração foi dada durante a visita do secretário de
Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, ao país africano. "A reação foi
além do direito à legítima defesa, transformando-se em punição coletiva para
2,3 milhões de pessoas em Gaza", disse o egípcio.
Na ocasião, a mídia local veiculou que Fattah al-Sisi também condenou
a inexistência de uma política para os palestinos, enfatizando que isto resultou
em uma “uma explosão de raiva”.
Para a autoridade egípcia, o atual conflito entre Israel e o Hamas,
grupo extremista islâmico que controla a Faixa de Gaza, pode ter consequências desastrosas
para toda a região.
Egito e Israel mantêm relações diplomáticas e econômicas com
Israel, durante. Em função disso, as declarações do governante egípcio foram encaradas
como as mais duras feitas, até aqui, por um líder árabe.
Os dois países negociam uma tratativa para a abertura temporária
da fronteira Sul de Gaza. A ideia é criar um corredor humanitário na passagem de
Rafah, para o resgate de civis da área da guerra.
Segundo o secretário de Estado norte-americano, seu giro pelo
Oriente Médio também visa encontrar saídas diplomáticas para resolver o
impasse. Em entrevista coletiva, concedida após o encontro com Fattah al-Sisi, Blinken
disse que busca "entender como cada um está vendo a crise e como pretendem
lidar com as preocupações que surgem”. Ele já se reuniu com os líderes do Catar
e da Arábia Saudita.
O Egito alega que a lentidão em abrir sua fronteira se deve a
problemas estruturais pós-bombardeios israelenses e a entraves burocráticos, como
a falta de documentação das pessoas que querem entrar no país. “A fronteira
está aberta. A passagem de Rafah está aberta e sempre esteve. Mas fomos alvos
de bombardeios aéreos e as estradas não estão em condições de receber os
comboios”, justificou o ministro de negócios Estrangeiros do Egito, Sameh
Shoukry, em entrevista à CNN.
Ele garantiu que o Egito trabalha para evacuar cidadãos estrangeiros do enclave, em conjunto com as diversas embaixadas. “Do nosso lado, estamos buscando melhorar a coordenação aqui para receber as pessoas”, disse o ministro, salientando que o Egito também costura acordo com Israel, visando o envio de ajuda humanitária aos palestinos.