O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal
(STF), assinou despacho, na última segunda-feira (9), solicitando esclarecimentos
sobre a lei estadual que prevê aumento de 300% nos salários do governador Romeu
Zema e dos secretários estaduais de Minas Gerais. A decisão foi divulgada nesta
quarta-feira (11).
De acordo com a Agência Brasil, pela deliberação do ministro,
Zema e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deverão se manifestar
sobre a aprovação do Projeto de Lei (PL) 24.314/2023. A normativa fixou o
referido aumento nos salários a partir de abril deste ano.
A medida foi adotada como forma de subsidiar o julgamento da
ação na qual a Confederação das Carreiras Típicas de Estado (Conacate) contesta
a legalidade do acréscimo salarial.
A Conacate entendeu que a nova lei estadual alterou uma norma
de 2007 com a finalidade de aumentar o salário do governador mineiro de R$ 10,5
mil para R$ 37, 5 mil. O PL em questão também prevê que o salário de Romeu Zema
será reajustado para R$ 41,8 mil, até 2025.
Já no caso dos secretários do estado, até 2025, os salários
passarão de R$ 10 mil para R$ 34,7 mil. A entidade, diz a Agência Brasil,
ressaltou que tais aumentos implicarão em um acréscimo de R$ 407 mil nas
despesas públicas, apenas em relação ao salário do governador.
A Confederação das Carreiras Típicas de Estado concluiu que, levando-se
em consideração o ano de 2025, ano final da majoração do subsídio, a diferença é
ainda mais alarmante. “Haverá um aumento percentual de 398,52% com
relação ao subsídio da lei anterior, gerando um aumento de despesa de R$ 407,4
mil”, declarou a entidade.
No processo, a Conacate também citou que o estado de Minas
Gerais está em processo de recuperação fiscal com o Governo Federal. As dívidas
somam R$ 160 milhões. “Mesmo diante de tal situação financeira, o governador
solicitou o aumento de quase 400% de seu subsídio. Solicitação essa acatada
pela ALMG sem estudo de impacto, sem previsão orçamentária e em vigor em Minas
Gerais desde maio de 2023”, observou.
O Estado de Minas Gerais alega que o aumento foi necessário, em função da defasagem de 15 anos na recomposição, além de o mesmo ter sido baseado nos vencimentos do Judiciário mineiro.