Nove funcionários da Agência da Organização das Nações Unidas
para Assistência a Refugiados Palestinos (Unrwa) foram mortos na Faixa de Gaza, desde o início dos bombardeios
israelenses à região, no último sábado (7).
Segundo a CNN Brasil, a informação foi repassada à Associated
Press (AP), agência de notícias independente pertencente a jornais e estações de
rádio e televisão estadunidenses, pela diretora de comunicação da entidade de
assistência humanitária, Juliette Touma.
O quinto dia de conflito no Oriente Médio registra um saldo total de 2 mil mortos. Segundo Touma, as leis da guerra primam pela proteção dos
civis, mas isto, diz ela, não está acontecendo. “A proteção dos civis é
fundamental, inclusive em tempos de conflito. Eles deveriam ser protegidos, de
acordo com as leis da guerra”, defendeu, salientando que os ataques israelenses
mataram os membros da ONU dentro de suas casas.
A diretora informou, ainda, que 18 escolas da Unrwa, que
haviam sido transformadas em abrigos, foram danificadas nos bombardeios. O
mesmo aconteceu com a sede da agência, localizada na cidade de Gaza. Não
houve vítimas.
Conforme a CNN, Israel afirmou, nesta quarta-feira (11), que
conseguiu destruir um avançado sistema de defesa desenvolvido pelo
Hamas para a detecção de aeronaves. Com a ação, o governo de Benjamin Netanyahu espera que o grupo extremista islâmico
que controla a Faixa de Gaza enfrente dificuldades para monitorar atividades
aéreas na região.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) também declararam que
novos bombardeios contra a Faixa de Gaza foram executados, promovendo a
destruição de alvos ligados ao Hamas. No entanto, autoridades palestinas relatam
inúmeros alvos civis. Nas últimas 24 horas, Israel bombardeou a Faixa de
Gaza mais de 400 vezes. Somente na manhã de hoje, foram 200 ataques.
O Hamas, diz a CNN, declarou que a casa da família de um dos
chefes militares do grupo, Mohammad Deif, também foi atingida durante uma ofensiva israelense. O pai, o irmão e outros dois parentes do terrorista morreram. Não
se sabe o paradeiro dele.
No total, 2.255 pessoas já morreram, contabilizando os números dos dois lados da guerra. Dois
jovens brasileiros estão entre as vítimas. Bruna Valeanu e Ranani
Glazer, ambos de 24 anos, participavam de um evento de música eletrônica,
realizado no Sul de Israel, perto da fronteira com a Faixa Gaza, quando o Hamas
atacou o país, no sábado (7). Segundo a imprensa israelense, 260 corpos foram
encontrados no local.
O Hamas lançou 5 mil foguetes contra seu oponente. Os ataques
foram perpetrados por terra, ar e mar. Motos e parapentes foram usados na
ofensiva. De acordo com a imprensa local, homens armados invadiram o território israelense
e atiraram em quem estava nas ruas. Também sequestraram dezenas de pessoas,
incluindo mulheres e crianças, todos levados para Gaza, como reféns.
Israel respondeu imediata e brutalmente
ao ataque. No mesmo dia, as Forças de Defesa do país lançaram bombas em direção à Faixa de Gaza.
Desde então, os ataques não cessaram. "Estamos em guerra e vamos
ganhar", disse o primeiro-ministro israelense.
Netanyahu prometeu uma retaliação jamais vista, que também
envolve a supressão do fornecimento de luz, combustíveis, remédios, comida
e água. “O nosso inimigo pagará um preço que nunca conheceu", sentenciou.
RACISMO – Na segunda-feira (9), o ministro da
Defesa de Israel, Yoav Gallant, determinou o bloqueio total de suprimentos. O
líder da extrema-direita israelense justificou a medida com uma declaração de
tom racista. "Estamos combatendo contra animais humanos", disse.
Conforme a CNN, a Faixa de Gaza enfrenta severas restrições impostas
por Israel desde 2005, quando o direito de ir e vir dos palestinos foi suprimido.
Nenhum morador pode deixar o território sem autorização do governo ou da Justiça israelense.
O fornecimento de energia e outros insumos básicos já dependiam
da autorização de Israel antes do início deste último conflito. Agora, passou
a ser negado, em quaisquer circunstâncias. Israel é um dos países mais condenados
por crimes de guerra do mundo, em função da atuação em relação aos palestinos.
ORIGEM DO CONFLITO – Organizações internacionais denunciaram,
ao longo dos 75 anos de criação do Estado de Israel, implantado, pela ONU, no
território que antes era uma colônia inglesa, inúmeras atrocidades, como
assassinatos, anexações indevidas de terras e expulsões de palestinos de suas residências.
O conflito entre israelenses e palestinos se arrasta há décadas
e envolve questões políticas e religiosas. Mas um dos principais gatilhos para a
escalada de violência na região é a tomada de territórios, por meio dos
chamados assentamentos israelenses.
De acordo com a BBC News, pelo plano de partilha da ONU, na
fundação do Estado de Israel, Jerusalém deveria ser dividida em duas partes: o
lado oriental, palestino; e o lado ocidental, israelense.
A área conhecida como Palestina, que estava sob domínio
britânico na época, deveria ter sido dividida entre judeus e árabes, mas Israel
invadiu e se apossou de inúmeras terras pertencentes aos palestinos. A grande
maioria dos assentamentos israelenses, diz a BBC, é considerada, pela ONU, "uma
violação flagrante da legislação internacional".
Além disso, a divisão de Jerusalém implicava em pontos de comunicação entre os dois lados, sendo, portanto, teoricamente, livre o trânsito entre toda sua extensão. O problema é que, após diversas ocupações e anexações por Israel, a Faixa de Gaza acabou refém do bloqueio imposto pelo país e também pelo Egito. Não tem, por exemplo, comunicação com a Cisjordânia, país comandando pela Autoridade Palestina, mas também ocupado, há décadas, pelo Exército israelense.
“PRISÃO SEM TETO” – A Faixa de Gaza, hoje, dizem
especialistas em Relações Internacionais, é uma espécie de “prisão sem teto”,
já que também é cercada por muralhas, nas divisas com Israel e com o Egito. O controle
do espaço aéreo e marítimo da região também está nas mãos do Estado israelense.
A pequena faixa de terra localizada na costa Oeste israelense,
na fronteira egípcia, é marcada pela extrema pobreza e pela superpopulação. São
2 milhões de habitantes vivendo em um território de 360 quilômetros quadrados.
Comparativamente, a área é menor do que a cidade brasileira de Curitiba, que
tem 434,8 quilômetros quadrados.
O
QUE DiZ Israel – Conforme a BBC, Israel argumenta que age, estrategicamente, para a defesa
de sua integridade, negando a acusação de tentativa de minar a soberania
palestina. Além disso, justifica o controle das divisas afirmando que não dá a
refugiados o direito de retorno às suas casas para não comprometer a própria
existência de um Estado judeu.
O QUE ALEGA O HAMAS – Em relação ao novo conflito iniciado
no fim da última semana, o Hamas, segundo o site Pragmatismo Político, argumenta que as suas ações decorrem do aumento dos confrontos registrados nos últimos meses. O
grupo afirma ter respondido à invasões israelenses, inclusive à mesquita de
Al-Aqsa, local considerado sagrado pelos muçulmanos.