O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens
de Jair Bolsonaro (PL), teria confessado à Polícia Federal (PF) ter entregado o
valor da venda de joias oficiais, "em mãos", ao ex-presidente. A
afirmação é da revista Veja.
O veículo de imprensa disse ter tido acesso aos depoimentos do
militar, após o mesmo assinar o acordo de delação premiada que o libertou da
prisão, no dia 9 de setembro, após 4 meses de reclusão.
Antes da soltura, Mauro Cid detalhou, em depoimentos à PF, a
sua participação em dois casos investigados pelo Supremo Tribunal Federal
(STF): a fraude no sistema do Ministério da Saúde (MS), para inserção de
dados falsos acerca da imunização contra a covid-19 em cartões de vacinação; e
a tentativa de comercialização de joias, relógios, canetas e outros
presentes diplomáticos de nações estrangeiras recebidos pelo ex-presidente.
No caso das joias, o militar admitiu a venda de
dois relógios de luxo e confirmou ter repassado o dinheiro obtido no negócio a
Bolsonaro. “O presidente estava preocupado com a vida financeira. A venda pode
ter sido imoral? Pode. Mas a gente achava que não era ilegal”, teria alegado o
ex-ajudante de ordens, durante o depoimento.
Com relação aos cartões de vacinação, o tenente-coronel assumiu
a responsabilidade pela tentativa de fraude. Ele disse ter emitido documentos
que atestavam que ele, a mulher e as filhas haviam recebido os imunizantes
contra a Covid-19. De acordo com o militar, a ideia é era ter uma espécie de
‘salvo-conduto’, caso a família fosse alvo de perseguições, após o término do governo
Bolsonaro.
GOLPE – O militar também falou sobre um
roteiro de teor golpista encontrado em seu celular. O documento versava sobre a
anulação das eleições de 2022, sobre uma intervenção no Supremo Tribunal
Federal (STF) e sobre a convocação de um novo pleito.
Segundo a Veja,
Mauro Cid afirmou que, por causa do cargo que exercia, seu telefone canalizava
incontáveis mensagens sobre diversos assuntos. Segundoe ele, por causa disso,
várias pessoas lhe encaminharam o que chamou de planos mirabolantes. “Eu
recebia um monte de besteira nesse sentido, de gente que defendia intervenção,
mas não repassava para o presidente. Qual o valor daquele texto encontrado no
meu celular?”, questionou.
O tenente-coronel foi liberado do cárcere pelo STF sob uma
série de exigências. Ele está obrigado a usar tornozeleira eletrônica,
permanecer em casa durante a noite e nos fins de semana, além de e comparecer,
semanalmente, ao Judiciário de Brasília.