A defesa do tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid,
ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), pediu a liberdade provisória do
oficial do Exército ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a confirmação
da intenção de fechamento de acordo de delação premiada com a Polícia federal
(PF), na última quarta-feira (6).
ACUSAÇÕES – Mauro Cid está preso, de forma
preventiva, desde o dia 3 de maio de 2023. A detenção foi expedida pelo ministro
Alexandre de Moraes, membro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), no âmbito da Operação Venire,
autorizada para apurar indícios de inserção de dados falsos de vacinação contra
a covid-19 no sistema do Ministério da Saúde (MS). A fraude visava
adulterar os cartões de vacinação da família Bolsonaro.
Sobre o militar também pesa a acusação de negociação ilegal
de presentes diplomáticos recebidos por Bolsonaro quando presidente da
República. A PF afirma que o tenente-coronel intermediou a venda ilegal de
joias e relógios nos Estados Unidos, tendo contado com a ajuda do pai, o
general Mauro Cesar Lourena Cid. O inquérito aponta que as contas do general
teriam sido usadas para o repasse do dinheiro da venda ilegal.
Além disso, Mauro Cid é investigado por envolvimento na
suposta tentativa de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ).
MANIFESTAÇÃO FORMAL – De acordo com Cezar Bittencourt,
advogado que representa o militar, o “relaxamento da prisão” foi pedido nesta
sexta-feira (8). Um dia antes (7), a defesa confirmou que o ex-ajudante de
ordens pretende fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.
A intenção foi manifestada formalmente ao STF, durante ida de
Mauro Cid à Suprema Corte. Na ocasião, ele foi recebido pelo juiz auxiliar
Marco Antônio Vargas, que trabalha no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a CNN Brasil, a viabilidade da delação depende
de homologação pelo magistrado. A lei que versa sobre a colaboração premiada
permite que a PF negocie acordos diretamente com o investigado, sem necessidade
de anuência por parte do Ministério Público (MP). O STF validou a possibilidade
de a PF firmar as tratativas em 2018.
INDÍCIOS DE
IRREGULARIDADES – Em
2022, nos últimos dias do governo Bolsonaro, Mauro Cid tentou resgatar um kit
de joias que o casal presidencial havia recebido da Arábia Saudita. As joias foram
retidas pela Receita Federal, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São
Paulo.
Este ano, o ex-ajudante de ordens também participou de um
esquema que visava à venda de presentes diplomáticos de grande valor. Os objetos
foram recebidos por Bolsonaro na condição de chefe de Estado, o que torna os
itens parte do Tesouro Nacional.
Conforme a CNN, Osmar Crivelatti e Mauro Lorena Cid, outros
dois personagens diretamente envolvidos no caso das joias e de outros presentes
valiosos recebidos pelo ex-presidente, também estão negociando acordos de
delação premiada.