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Política

Hacker diz que Bolsonaro lhe garantiu indulto, em caso de prisão por invasão a urnas eletrônicas

17 de Agosto de 2023 | 11h 23
Hacker diz que Bolsonaro lhe garantiu indulto, em caso de prisão por invasão a urnas eletrônicas
Foto: Reprodução/GloboNews

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os atos golpistas relacionados às Eleições 2022, o hacker Walter Delgatti Neto disse, nesta quinta-feira (17), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lhe assegurou a concessão de um indulto, caso ele fosse preso ou condenado por tentativa de invasão às urnas eletrônicas.

Delgatti revelou ter recebido a proposta durante uma reunião realizada no Palácio da Alvorada, pouco tempo antes do pleito do ano passado. O encontro, disse ele, foi intermediado pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

O hacker afirmou, ainda, que, na ocasião, Bolsonaro teria questionado se ele realmente conseguiria invadir o sistema das urnas, com o pretexto de testar a lisura dos equipamentos. "Apareceu a oportunidade da deputada Carla Zambelli, de um encontro com o Bolsonaro, que foi no ano de 2022, antes da campanha. Ele queria que eu autenticasse... autenticasse a lisura das eleições, das urnas. E por ser o presidente da República, eu acabei indo ao encontro. [...] Lembrando que eu estava desamparado, sem emprego, e ofereceram um emprego a mim. Por isso que eu fui até eles", declarou.

Além disso, Delgatti contou que, em outubro de 2022, durante um encontro com assessores de campanha do ex-presidente, foi aconselhado a criar um "código-fonte falso", a fim de sugerir que a urna eletrônica era vulnerável e passível de fraude.

Segundo o hacker, a proposta teria partido do marqueteiro Duda Lima. Ele disse, ainda, que, além de Carla Zambelli, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também estava presente. "A segunda ideia era, no dia 7 de setembro, eles pegarem uma urna emprestada da OAB, acredito. E que eu colocasse um aplicativo meu lá e mostrasse à população que é possível apertar um voto e sair outro", relatou.

Questionado pela relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), Walter Delgatti Neto assegurou que não chegou a operar com o código-fonte original do TSE. A ideia de criar um código próprio, ressaltou ele, teria partido do próprio Duda Lima. "Eles queriam que eu fizesse um código-fonte meu, não o oficial do TSE. E nesse código-fonte, eu inserisse essas linhas, que eles chamam de 'código malicioso', porque tem como finalidade enganar, colocar dúvidas na eleição", explicou.



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