O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, neste
domingo (21), durante conversa com jornalistas em Hiroshima, no Japão, uma
política unificada dos países
amazônicos. A ideia visa a adoção de medidas sérias, que envolvam, também, os
povos indígenas, a fim de evitar o desmatamento e garantir a sobrevivência
das 28 milhões de pessoas vivem na região.
Segundo a Agência Brasil, Lula enfatizou, ainda, que é preciso
criar empregos limpos, promovendo o desenvolvimento sem desmatar. “Eles têm
direito de viver, de trabalhar, de comer, de ter acesso a bens materiais que
todos nós queremos. E, por isso, precisam explorar não desmatando. Explorar a
riqueza da biodiversidade para saber se podemos extrair a possibilidade de
desenvolver uma indústria de fármacos, de cosméticos, por exemplo, para gerar
empregos limpos”, disse, ressaltando que não há pretensão de “transformar a
Amazônia em um santuário da humanidade”.
No país asiático, Lula participou do segmento de engajamento
externo da Cúpula do G7, reunião de líderes de sete das maiores economias do
mundo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá.
Durante o evento, o presidente cobrou que os países ricos
cumpram compromissos assumidos no
âmbito internacional, a exemplo da doação de US$ 100 bilhões ao ano,
para que países em desenvolvimento preservem suas florestas. Ele disse que, em
todas as Conferências do Clima das Nações Unidas (COPs), os mesmos falam que
vão doar US$ 100 bilhões. “Nós estamos aguardando”, frisou.
Para Lula, é preciso uma nova governança global, mais representativa e que estabeleça punições
para os países que não cumprirem os esforços nas questões climáticas. “Ou todos
nós entendemos que o barco é um só, que o planeta é redondo, ou entendemos que
uma desgraça que vier vai pegar todo mundo de calça curta. Os cientistas estão
nos prevenindo. Então, é importante termos clareza de que nós seremos os
responsáveis de nos salvar ou de nos matar”, argumentou.
Conforme a Agência Brasil, as cúpulas do G7 costumam contar
com a presença de países convidados. Nesta edição, além do Brasil, participam a
Austrália, a Coreia do Sul, o Vietnã, a Índia, a Indonésia, o Comores e as Ilhas
Cook. O evento contou, ainda, com a presença do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Ele participou da sessão de debates sobre
o tema: “Rumo a um mundo pacífico, estável e próspero”.
Lula está no Japão desde a última sexta-feira (19), aonde vem
cumprindo extensa agenda de encontros
bilaterais, com reuniões com 11 chefes de governo e de entidades. “Saio mais
otimista do que nunca. A chance de o Brasil estabelecer parcerias fortes na
área comercial, cultural e política é muito grande”, destacou o chefe de Estado
brasileiro.
O presidente observou, ainda, que “as pessoas gostam muito do
Brasil, estão muito felizes com a volta da democracia no Brasil e com a volta
do Brasil ao cenário internacional”. E citou que, este ano, tem agendadas duas
viagens a países da África e uma viagem à Índia.
Além disso, lembrou que, em agosto, será realizada a Cúpula
da Amazônia. O evento, a ser realizado em Belém, capital do estado do Pará, reunirá
os chefes de Estado dos oito países que integram a Organização do Tratado de
Cooperação Amazônica (OTCA).