O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse,
nesta segunda-feira (1º), por meio do Twitter, que a pasta irá apurar a
possível ocorrência de práticas abusivas por empresas que operam plataformas de
busca na internet e redes sociais. Isto em função de relatos sobre uma campanha
que estaria sendo promovida contra o Projeto de Lei da Fake News (PL 2630/20).
De acordo com a Agência Brasil, o ministro também compartilhou
uma publicação da organização de combate à desinformação Sleeping Giants
Brasil, segundo a qual o Google estaria “usando a própria plataforma para
atacar a PL e o Twitter deslogando a conta das pessoas para atrapalhar”.
Inquérito
Administrativo – No Twitter, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
escreveu que pedirá abertura de inquérito no Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (Cade), "por possível infração contra a ordem econômica (Lei
12.529/12) por abuso de posição dominante".
Dentre as punições, o parlamentar enfatizou que vai solicitar
"ao Cade, cautelarmente, a remoção do conteúdo, abstenção de reiteração de
práticas análogas e fixação de multa no valor máximo de 20% do faturamento
bruto, além do bloqueio cautelar nas contas bancárias do Google".
Votação – O PL das
Fake News deve ser votado nesta terça-feira (2), na Câmara dos Deputados, após os
membros da Casa terem aprovado, na última terça-feira (25), regime de urgência para a
matéria. Conforme a Agência Brasil, ainda não há certeza de consenso entre
líderes partidários para que a matéria seja de fato chamada para votação.
Ontem (1º), em entrevista a jornalistas de São Paulo, após o tradicional
ato das centrais sindicais pelo Dia do Trabalhador, no Vale do Anhangabaú, o deputado
Orlando Silva (PCdoB-SP), relator da matéria, também acusou as grandes empresas
de tecnologia de “ação suja” contra o PL que busca regulamentar as redes
sociais no país.
Ele declarou nunca ter visto “tanta sujeira em uma disputa
política” E afirmou que “o Google, por exemplo, usa sua força majoritária no
mercado para ampliar o alcance das posições de quem é contra o projeto e
diminuir de quem é favorável ao projeto”.
Um relatório publicado pelo NetLab, Laboratório de Estudos de
Internet e Mídias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
aponta um possível enviesamento dos resultados de busca no Google para privilegiar
conteúdos críticos ao Projeto de Lei.
Segundo o documento, há “evidências de que o Google vem
apresentando resultados de busca enviesados para usuários que pesquisam por
termos relacionados ao Projeto de Lei, insinuando que as buscas são por ‘PL da
Censura’, que é o nome usado pela oposição contra a regulamentação das plataformas,
e não pelo nome oficial ‘PL 2630’ ou o nome usado pela imprensa ‘PL das Fake
News’”.
De acordo com a Agência Brasil, disponível online, o estudo também
destaca denúncia de influenciadores e youtubers. Eles relatam ter recebido
comunicados da plataforma YouTube afirmando que teria menos recursos para
monetizar canais, caso a PL das Fake News fosse aprovada.
Nesta segunda-feira, o Google fixou em sua página oficial um link com
a mensagem: “O PL das fake news pode aumentar a confusão sobre o que é verdade
ou mentira no Brasil”. Através deste, o usuário é remetido a um texto assinado
pelo diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas do Google Brasil,
Marcelo Lacerda, contendo críticas ao Projeto de Lei.