O aporte dos Estados Unidos para projetos de sustentabilidade
no Brasil e combate ao aquecimento global pode chegar a US$ 2 bilhões. A
informação foi divulgada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nesta
quinta-feira (20).
De acordo com a Agência Brasil, a gestora disse que o
assessor do governo norte-americano para assuntos do clima, John Kerry, afirmou
que a contribuição de US$ 500
milhões ao Fundo Amazônia, anunciada pelo presidente Joe Biden, é apenas
a fase inicial de alocação de recursos.
Segundo Marina Silva, pela conversa que teve com Kerry, “é
apenas o início dos esforços” para uma alavancagem “de algo em torno de US$ 2
bilhões, somando todas as frentes de atuação, não somente para o Fundo
Amazônia”.
Além dos US$ 500 milhões para o Fundo Amazônia, o governo dos
Estados Unidos irá destinar US$ 1 bilhão para reestruturação florestal na
América Latina e US$ 50 milhões para reflorestamento.
Os recursos, conforme a ministra, são do Tesouro
norte-americano e precisam da admissão do Congresso para serem liberados.
Marina Silva ressaltou que o governo Biden está empenhado na aprovação do valor
prometido pelos congressistas.
Em fevereiro, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) aos Estados Unidos, Biden afirmou que iria contribuir com o Fundo
Amazônia e financiamento de projetos de sustentabilidade no Brasil. “Isso é uma
conquista muito grande. Tanto por aquilo que significa ter os Estados Unidos
contribuindo com o fundo, quanto pelo volume de recursos”, destacou a ministra.
Conforme a Agência Brasil, Marina ressaltou, ainda, que os
recursos poderão ser usados, inicialmente, para combate ao desmatamento e
queimadas e ordenamento territorial. A meta é que o fundo volte ao foco
original, de financiar pesquisas, tecnologia, projetos de desenvolvimento
sustentável, bioeconomia e agricultura de baixo carbono “rumo a um novo modelo
de desenvolvimento, e não só ações de comando e controle”.
A partir do anúncio de Biden, a ministra espera que outros
países sejam encorajados a contribuir para o Fundo Amazônia, a exemplo da
Alemanha e da Noruega, que já integram o grupo de doadores.
Plano
Safra – Além disso, Marina
Silva informou que o Plano Safra 2023/24, principal política de financiamento
da agricultura nacional, irá trazer condicionantes para estimular a adesão dos
produtores rurais às práticas sustentáveis.
Segundo ela, os produtores que conseguirem a transição para a agricultura de baixo carbono (com menos emissões de gases) poderão obter benefícios e melhores condições de financiamento. “Quem aderir ao Plano Safra, mesmo que esteja em uma fase inicial, vai aderir com etapas a serem cumpridas ao longo do tempo. Pode até começar na estaca zero, assume o compromisso que vai fazer etapas iniciais, depois medidas intermediárias até conseguir situação que tenha redução de juros em função de resultados alcançados”, explicou.