Nomeado interventor do Distrito Federal, no último domingo
(8), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ricardo Cappelli determinou
a exoneração de 13 servidores da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) que
estavam de serviço durante a invasão bolsonarista ao Palácio do Planalto, ao
Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Todos
haviam sido nomeados pelo ex-titular da pasta, Anderson Torres, também afastado
do cargo e com prisão determinada pelo STF.
De acordo com o g1 DF, a medida foi publicada em uma edição
extra do Diário Oficial do Distrito Federal, nesta terça-feira (10). A
publicação também traz os novos nomeados para os cargos que ficaram vagos.
Entre os agentes substituídos, está o ex-comandante-geral da
Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Fábio Augusto Vieira. Ele foi preso
ontem, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal. Klepter Rosa Gonçalves foi designado para assumir o cargo.
Ricardo Cappelli se manifestou sobre o assunto, por meio de
uma rede social. O interventor federal disse que a ideia era “procurar
restabelecer no comando do órgão a equipe que comandou com sucesso a operação
de segurança da posse do presidente".
Para ele, está claro que houve um vácuo no comando, a partir
da nomeação de uma nova equipe para a pasta. Cappelli criticou a ausência de
Torres, que está de férias em Orlando, nos Estados Unidos (mesma cidade onde
está Bolsonaro), durante a ação terrorista empreendida pelos seguidores do
ex-presidente Jair Bolsonaro. "O secretário de Segurança sequer estava no
comando", disparou.
O interventor disse que todas as responsabilidades
relacionadas com a vandalização dos Três Poderes da República serão apuradas. "O
fundamental na intervenção foi retomar a linha de comando e autoridade sobre as
forças de segurança do DF. Acho que tem responsabilidades graves e vamos apurar
todas. Vamos, até as últimas consequência, apurar as responsabilidades", garantiu.
Na lista de exonerados, constam os nomes dos coronéis Fábio
Augusto Vieira, Jorge Eduardo Naime Barreto, Paulo José Ferreira de Souza
Bezerra e Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues; do tenente-coronel Clovis
Eduardo Condi; dos majores Gustavo Cunha de Souza, Igor Mendes Ferreira e
Gizela Lucy Teixeira Barros; do chefe de gabinete Marcos Paulo Cardoso Coelho
da Silva; da subsecretária de inteligência, delegada da PF Marília Ferreira de
Alencar; do secretário executivo, delegado da PF Fernando de Souza Oliveira; da
assessora especial do gabinete do secretário, Patrícia dos Santos Moreira; e do
subsecretário de ensino e gestão de pessoas, Ricardo Borda D'Água de Almeida
Braga.
Prisão
de Anderson Torres – Ao tomar ciência da ordem de prisão expedida contra
ele, a pedido da Polícia Federal (PF), Anderson Torres decidiu interromper a
viagem e se entregar. Viaturas da PF foram vistas, ontem, em frente à sua casa,
em Brasília.
A expectativa é de que o também ex-ministro da Justiça do
governo Bolsonaro retorne ao Brasil ainda nesta quarta-feira (11). "Hoje
(10), recebi notícia de que o Min Alexandre de Moraes do STF determinou minha
prisão e autorizou busca em minha residência. Tomei a decisão de interromper
minhas férias e retornar ao Brasil. Irei me apresentar à justiça e cuidar da
minha defesa", afirmou, através de uma rede social.
Anderson Torres afirmou, ainda, estar certo de que tudo será esclarecido. "Sempre pautei minhas ações pela ética e pela legalidade. Acredito na justiça brasileira e na força das instituições. Estou certo de que a verdade prevalecerá", destacou.