Após o ministro Alexandre Moraes, membro do Supremo Tribunal
Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afastar, na
madrugada desta segunda-feira (9), o governador do Distrito Federal (DF),
Ibaneis Rocha (MDB), pelo período de 90 dias, por suspeita de omissão no
contexto dos atos terroristas ocorridos, ontem (8), em Brasília, a vice-governadora
Celina Leão (PP) assumiu o Executivo local.
Segundo o Correio Braziliense, a decisão do magistrado também
inclui o ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, no
inquérito que investiga as ações golpistas na Praça dos Três Poderes.
Com 18 páginas, o documento assinado por Moraes aponta que
Ibaneis teve uma conduta "dolosamente omissiva". Também que o gestor "não
só deu declarações públicas defendendo uma falsa 'livre manifestação política
em Brasília'", como tinha conhecimento prévio, por todas as redes sociais,
"que ataques às Instituições e seus membros seriam realizados".
Na determinação de afastamento do governador de suas funções,
o ministro destacou que o chefe do Executivo do DF ignorou os apelos das
autoridades para realizar um plano de segurança semelhante aos realizados, nos
últimos dois anos, no dia 7 de Setembro. "Absolutamente nada justifica a
existência de acampamentos cheios de terroristas, patrocinados por diversos
financiadores e com a complacência de autoridades civis e militares em total
subversão ao necessário respeito à Constituição Federal", recriminou
Moraes.
Classificando os apoiadores do ex-presidente Bolsonaro como
criminosos, o magistrado ressaltou que as condutas de Ibaneis Rocha e de Anderson
Torres são inadmissíveis. "Absolutamente nada justifica a omissão e
conivência do Secretário de Segurança Pública e do Governador do Distrito
Federal com criminosos que, previamente, anunciaram que praticariam atos
violentos contra os Poderes constituídos", observou.
Conforme o Correio Braziliense, ao assumir o comando da
capital do país, Celina Leão, que é apoiadora da família Bolsonaro, terá de se
sentar à mesa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante encontro
com governadores. A reunião está agendada para o fim da tarde de hoje.
Desculpas – Ontem, Ibaneis
Rocha pediu desculpas aos chefes dos Três Poderes, pelos atos terroristas praticados
por extremistas pró-Bolsonaro. Os manifestantes depredaram o Congresso Nacional,
o Palácio do Planalto e o STF, neste domingo (8), numa clara
imitação à tentativa de golpe empreendida por apoiadores do ex-presidente
Donald Trump, há dois anos.
Segundo o governador afastado, não foi possível imaginar, com
antecedência, que a manifestação bolsonarista tomaria tal proporção destrutiva.
"Quero me dirigir, aqui, primeiramente, ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), para pedir desculpas pelo que aconteceu, hoje, em nossa cidade.
Para a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) [ministra Rosa Weber], ao
meu querido amigo Arthur Lira [presidente da Câmara dos Deputados], ao meu
querido amigo Rodrigo Pacheco [presidente do Senado Federal]", declarou.
INTERVENÇÃO FEDERAL – Desde a tarde de ontem, o DF está sob
intervenção federal, decretada pelo presidente da República. A partir do ato, o
interventor Ricardo Garcia Cappeli, nomeado por Lula, responde diretamente ao
Executivo Nacional, tendo amplos poderes para requisitar os recursos
financeiros, tecnológicos, humanos e estruturais do DF necessários à consecução
do objetivo da medida, que é restabelecer a ordem pública, pondo termo a todo e
qualquer ato violento de teor golpista.
No mesmo pronunciamento, Lula garantiu que o governo irá “descobrir
quem são os financiadores desses vândalos que foram a Brasília” e que “todos
eles pagarão com a força da lei”.