A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional
aprovou, nesta quinta-feira (22), último dia de funcionamento do Legislativo antes
do recesso natalino, as contas de 2014 e 2015 da ex-presidente Dilma Rousseff
(PT). Isto após o Tribunal de Contas da União (TCU) se posicionar pela rejeição,
baseando-se nos argumentando que culminaram no impeachment da petista, em 2016.
De acordo com o Estadão, os parlamentares aprovaram, também,
os gastos do presidente Jair Bolsonaro (PL), entre 2020 e 2021, salvaguardando
os repasses relacionados ao orçamento secreto, esquema de troca de apoio
político realizado através de emendas de relator.
Na última segunda-feira (19), o orçamento secreto foi
declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do
Congresso, portanto, pode blindar Bolsonaro frente a processos judiciais, após o
presidente deixar o cargo e perder o foro privilegiado, afastando o risco da
inelegibilidade por oito anos, por causa das contas de seu governo.
Os processos haviam sido engavetados pela CMO e permaneciam
sem análise até o dia de ontem. No entanto, o deputado Celso Sabino (União-PA),
que preside a comissão e é aliado presidente da Câmara dos Deputados, Arthur
Lira (PP-AL), prometeu votar todas as contas pendentes antes do fim do ano. A
Constituição Federal determina que o Congresso Nacional o julgue as contas
presidenciais após análise do TCU, mas a medida não era cumprida pelo
Legislativo há 20 anos. A decisão precisa passar pelo crivo do parlamento.
Já as contas de Dilma, diz o Estadão, tiveram como relator o deputado
Enio Verri (PT-PR), aliado do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A
aprovação foi deliberada, apesar das ressalvas feitas pelos parlamentares, que apontaram
inconsistências e falhas na execução do Orçamento. "Para mim, como
militante do Partido dos Trabalhadores, que entendo que o impeachment da
presidenta Dilma foi fruto de um golpe, porque ela foi absolvida depois,
aprovar as suas contas e ter tido a honra de ser o relator foi muito
importante", afirmou o parlamentar.
O único deputado a se manifestar contra a aprovação foi Marcel
van Hattem (Novo-SP). "Se está passando um sabão na história do Brasil, de
uma forma completamente triste e lamentável, tentando lavar o currículo de
Dilma Rousseff, que foi?impichada? por crime de responsabilidade, em virtude das contas do seu Governo,
em virtude das pedaladas fiscais", disse.
Em relação às contas de Bolsonaro, entre 2020 e 2021, seu
governo liberou R$ 36,5 bilhões em emendas do orçamento secreto. O TCU havia
votado pela aprovação com ressalvas, mas apontou que o mecanismo era
inconstitucional. Os gastos feitos nos últimos três anos ainda estão sob investigação,
por parte de órgãos como a Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União
(CGU) e o próprio Tribunal de Contas da União.
Ter as contas rejeitadas pode incorrer na inelegibilidade, mas o julgamento no Congresso pode impedir que Bolsonaro seja penalizado. Segundo o Estadão, apenas a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) votou contra as contas do atual presidente. "Como votar para o orçamento secreto, que foi construído e institucionalizado durante o governo Bolsonaro, que tirou dinheiro do orçamento de combate à violência contra a mulher, que tirou recursos das áreas sociais e do sistema público de saúde, para financiar essa compra de votos vergonhosa que nós vimos no parlamento, nos últimos três anos?", questionou.