O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, na manhã
desta segunda-feira (19), e derrubou a constitucionalidade da execução das
emendas de relator, mais conhecidas como orçamento secreto. O voto decisivo
coube ao ministro Ricardo Lewandowski. O magistrado acompanhou o entendimento
da relatora da ação, ministra Rosa Weber. O placar ficou em 6 a 5.
De acordo com o Correio Braziliense, na última quinta-feira
(15), Lewandowski e Gilmar Mendes pediram mais tempo para analisarem as ações.
Eles alegaram que restava pouco tempo para a complexidade da matéria. A
discussão foi retomada hoje, dia da sessão de encerramento do Judiciário.
A votação começou na um dia antes, na quarta-feira (14), com
o voto de Weber, presidente da Suprema Corte. A magistrada se posicionou pela
inconstitucionalidade dos recursos, sob a alegação de que o pagamento das RP-9,
como os recursos são tecnicamente denominados, a parlamentares é
"recoberto por um manto de névoas". A decisão dela foi acompanhada pelos
ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Ricardo
Lewandowski.
Os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes
entenderam que a emenda de relator é constitucional. No entanto, destacaram que
é preciso uma maior transparência e a imposição de regras de proporcionalidade
por partidos e necessidades dos estados e municípios. Já os votos de André
Mendonça e Kassio Nunes Marques foram favoráveis à liberação do orçamento
secreto.
A decisão do STF impacta diretamente o governo do presidente
eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a relação com o Congresso Nacional. Inicialmente,
durante a campanha eleitoral, o petista se mostrou contrário ao orçamento
secreto. Após eleito, medindo os riscos à governabilidade, ele baixou o tom, passando
a defender uma solução meio-termo.
Os repasses acabaram se tornando uma espécie de moeda de
negociação política entre os poderes Executivo e Legislativo, durante a gestão
de Jair Bolsonaro (PL). No Orçamento de 2023, são empenhados R$ 19,4 bilhões
para esse fim.