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Política

Preso sob acusação de participar de atos antidemocráticos e de conspirar contra diplomação de Lula, cacique bolsonarista é transferido para Complexo da Papuda

14 de Dezembro de 2022 | 11h 59
Preso sob acusação de participar de atos antidemocráticos e de conspirar contra diplomação de Lula, cacique bolsonarista é transferido para Complexo da Papuda
Foto: Reprodução/Redes sociais

Detido, inicialmente, em caráter temporário, pela Polícia Federal (PF), na última segunda-feira (12), o cacique bolsonarista José Acácio Serere Xavante, acusado de convocar pessoas armadas para tentar impedir a diplomação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuará preso. A decisão foi tomada pela Justiça do Distrito Federal, durante audiência de custódia. O suspeito foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda.

O mandado de prisão contra Serere Xavante foi cumprido por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão denunciou o cacique por suspeita de "condutas ilícitas em atos antidemocráticos". Ele e outros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) teriam invadido a sala de embarque do Aeroporto Internacional de Brasília, no último dia 2.

Segundo Moraes, o indígena também teria participado de protestos em frente ao Congresso Nacional e, também, diante de um shopping e do hotel onde Lula estava hospedado. Conforme a Agência Brasil, a PGR alega que o suspeito vem utilizando sua posição de cacique do Povo Xavante para arregimentar indígenas e não indígenas a cometer crimes, a exemplo de ameaças de agressão contra Lula e contra ministros da Suprema Corte.

De acordo com o jornal Estado de Minas, o cacique estaria sendo financiado pelo fazendeiro paulista Dide Pimenta, proprietário de terras no município de Campinápolis, no estado do Mato Grosso. Parte da população Xavante e a família de Serere vivem na região, em uma área demarcada como Terra Indígena Parabubure.

NÃO É CACIQUE – Na realidade, o suspeito não exerce a função de cacique na aldeia dele. Quem comanda o agrupamento é o cacique Celestino. Conforme o Estado de Minas, interlocutores da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informaram que o indígena não é tradicional. Além de ser casado, há seis anos, com uma mulher não indígena, ele também atua como pastor evangélico. A conversão religiosa teria ocorrido após ele ter sido preso por tráfico de drogas.

REPÚDIO – Em entrevista ao jornal, Rafael Weree, presidente nacional do Movimento Indígena do PDT e membro da população Xavante, afirmou que o seu povo é a favor da democracia. Ele repudiou as ações de José Acácio Serere. "Inclusive, foi muito alertado para ele sair desse barco, mas ele não deu ouvidos para ninguém e continuou nessa caminhada muito extrema. Na pandemia, presenciamos a morte de tantos anciãos, então, não deveríamos apoiar uma pessoa dessa, que deu descaso total no atendimento à saúde indígena", observou, referindo ao presidente Jair Bolsoanro.

Para Weree, é lamentável o envolvimento do indígena nos atos antidemocráticos. "Infelizmente, ele insistiu na divulgação de fake news sobre o resultado da eleição e atacou o presidente do TSE. Meu povo apoia a atitude do Alexandre de Moraes de encerrar esse assunto, essa bagunça que ele vem fazendo", destacou.

Ele também enfatizou que o povo Xavante sempre lutou pela justiça, pelos direitos e pelas terras, sem se afastar da noção de coletividade. "Não existe, para nós, luta individual, sempre existiu a coletividade. Respeitamos o resultado da eleição", assegurou.

PROTESTOS EM BRASÍLIA – A prisão de Serere Xavante foi apontada como estopim dos violentos protestos ocorridos em Brasília, na última segunda-feira (12). Além de tentarem invadir a sede da Polícia Federal, apoiadores de Bolsonaro vandalizaram a região central da capital federal. Segundo a polícia. Eles depredaram e atearam fogo em diversos carros e ônibus.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) disse, por meio de nota, que as forças de segurança aturaram para conter os "distúrbios civis" e se comprometeu a identificar e responsabilizar os envolvidos na onda de violência.



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