Escolhido pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), para chefiar o Ministério da Defesa, José Múcio Monteiro afirmou que as
Forças Armadas não têm interesse em apoiar um golpe militar para tentar impedir
a posse do futuro chefe de Estado, no dia 1º de janeiro de 2023.
No entanto, de acordo com o jornal Estado de Minas, o futuro
ministro acredita que Lula enfrentará dias difíceis até a cerimônia que o
tornará presidente. Em entrevista à Globonews, José Múcio disse que o governo
eleito precisará "dos mais comportados" e daqueles que "zelam
pela democracia", nesta reta final de 2022.
Para ele, nas Forças Armadas, há preferências: alguns
militares apreciam o governo de Jair Bolsonaro (PL) e outros que se identificam
com os ideais de Lula. Apesar disso, salienta que nenhuma das corporações está
disposta a apoiar um golpe militar. "As Forças Armadas têm demonstrado que
não apoiam qualquer movimento desse", refutou.
O futuro ministro lembrou, ainda, que o Exército, a Marinha e
a Aeronáutica são instituições de Estado, e não de governo. “As Forças Armadas
são uma instituição do Estado brasileiro, não de quem está comandando o Estado
brasileiro. A sociedade respeita as Forças Armadas pela sua união, pela sua
força e pela sua responsabilidade. Eles tiveram muitas oportunidades de
exercitar essa falta de patriotismo", considerou.
O José Múcio Monteiro foi oficializado como titular do
Ministério da Defesa do governo eleito na última sexta-feira (9). Ele já atuou
como deputado federal e como presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).
Sua nomeação marca a volta da prerrogativa de se ter um civil no cargo, prática
rompida nos governos Temer e Bolsonaro, que convocaram militares para assumirem
a pasta.